G33K4U

O g33k4u (Geek For You) é um repositório de pensamentos e artigos que escrevo ao longo do tempo. Coletâneas de filosofia, Direito, Tecnologia da Informação e um pouco de diarréia mental, só prá dar um gostinho.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Phreaking e orelhões batizados

Na edição de Novembro de 2007 da revista "Mundo Estranho" algumas lendas urbanas foram desmentidas e analisadas, uma destas lendas é o "orelhão batizado" que faz ligações sem cartão. Eles desmentiram este mito.

A verdade é que existiam sim, os orelhões batizados. O que aconteceu foi um misto de imprudência das companhias telefônicas com técnicas "phreaker" (hackers de telefone). Todo orelhão tem uma chave, ao longo do tempo, diversas chaves foram criadas, e existe até mesmo a lenda da "chave mestra".

O que aconteceu foi que algumas destas chaves foram copiadas (sim, um operador deixou ela emcima do telefone que ele consertou). Por incrível que pareça, todos os orelhões do mesmo modelo usam a MESMA chave. Isso evita que os operadores encarregados de consertar estes aparelhos carreguem centenas de chaves nas grandes cidades. Em resumo, quem tinha a chave, tinha acesso ao orelhão (internamente). A partir daí vazaram esquemáticos dos circuitos do orelhão.

Os orelhões são como um computador, possuem uma placa mãe, um modem e um dispositivo de cobrança (leitor de cartões). O que muda de um orelhão para outro é o MODO DE COBRANÇA que a central telefônica remota usa e que varia de um aparelho para outro. Os orelhões possuem dois tipos de cobrança, um deles é o "inversor", que inverte a corrente por uma fração ínfima de tempo, avisando ao leitor para "queimar" uma unidade. O outro método é "60hz", que é um tom específico que avisava ao dispositivo de cobrança para queimar unidades. A central telefônica é programada para usar o tipo correto de cobrança de orelhão para orelhão. Esta programação é feita na hora em que o orelhão é instalado.

O procedimento para batizar o orelhão é simples, se você tiver a chave e o código especial de programação (que as operadoras telefônicas ironicamente deixaram como sendo "000000" durante muito tempo). O phreacker abria o orelhão (é um procedimento discreto) e localizava o botão reset da placa do orelhão. Na época diversos esquemáticos na Internet explicavam a localização exata deste botão nos mais diversos modelos de orelhão. Uma vez pressionado, o orelhão entrava no "Menu do Sistema", navegava-se usando as teclas numéricas. Lá, se copiava os valores atuais de todas as configurações (havia o número do orelhão, o modo de cobrança, número da central, etc). Após copiados, pressionava-se novamente o botão da placa-mãe, colacava-se o fone no gancho. Nesse momento, o orelhão era resetado, e todas as configurações zeradas. Era hora de reconfigurar ele, tendo o cuidado de INVERTER O MODO DE COBRANÇA, de inversor para 60hz, ou vice-versa.

Colocando novamente o fone no gancho, e retirando em seguida, o modem interno do orelhão ligava para a central telefônica, enviava as novas informações e retornava a mensagem: "Programação concluída". Depois disso, era só festa. Quando a central telefônica mandava o sinal (inversor ou 60hz), o telefone não "entendia" o mesmo, e não queimava nenhuma unidade. Dava para ligar sem cartão, ou com cartão para fingir na fila.

Essas informações são verdadeiras até mais ou menos o ano 2000, quando pela última vez "testei" essa técnica.

Sábado, 28 de Março de 2009

CPM 22 no Atlanta

Sexta-feira é um dia complicado. Sempre foi. No serviço, tudo que pode acontecer de ruim acontece na sexta, pois assim você estará mais estressado no final do dia, cansado de correr atrás dos problemas e matutando sobre o que ficou para ser resolvido na segunda-feira. Geralmente sou caseiro nas sextas. É um dia propício para descansar, olhar um filme, ficar em casa.

Mas tinha o show do CPM 22 no Atlanta hoje. Comprei o ingresso antecipado e até me desfiz da natural cara de cansaço para ir no show. Estava de fato empolgado.

Mas o Atlanta, como no show do Nenhum de Nós, como em outros shows que fomos lá, se superou... Em falta de organização, em desrespeito com os clientes, em falta de consideração com a banda e com o povo de Santo Ângelo.

15 reais, antecipado (nem imagino quanto era na hora). Quando chegamos e vimos a fila monstruosa na frente do Atlanta, cheguei a ficar mais empolgado. Imagina, casa cheia para esse show. Qual não foi a surpresa ao entrar no Atlanta depois de mais de 40 minutos na fila para notar que a demora era causada pela total desorganização da equipe, e não pelo volume de pessoas. Não tinha ninguém lá dentro. E logo o motivo ficou claro. O som eletrônico tocava a mesma playlist da espera pelo show do Nenhum de Nós, dava prá saber até qual era a próxima música. Já tinha passado das duas da madrugada quando o show finalmente começou. O Atlanta, ainda vazio.

Resolvi comprar uma cerveja. Sair na noite exige, demanda uma cerveja gelada. Qual não foi minha surpresa ao saber que o Atlanta não vendia long neck. Mas vai lá, hoje em dia, cerveja de lata é o padrão mesmo, sem problemas. Comprei 4 fichas. Quando pedi a cerveja, o cara me alcançou uma BAVARIA fria (não gelada). Eu não consegui esconder a indignação, pedi uma Brahma ou qualquer outra (Bohemia, Skol, por favor, até POLAR). Não tinha, era BAVARIA FRIA OU KAISER QUENTE. Só consegui tomar dois goles da Kaiser quente. Isso estraga a festa de qualquer um.

Eu e a namorada resolvemos trocar as fichas e comprar um whisky com energético. O preço? Baratinho! 10 REAIS. Mas tudo bem, melhor que nada. Opa, não era 10 reais a dose COM o energético. Era 10 reais o ENERGÉTICO, e MAIS 10 a dose. Quer dizer que eram 20 reais a dose com energético. Nunca tinha visto isso na vida. Até hoje, o lugar mais caro que eu já fui era o Planeta Atlântida, onde uma água saia por 2 reais (alias, tudo saia 2 reais). No Atlanta:

Cerveja: 3,50 (lata, Kaiser quente ou Bavaria fria, não gelada)
Água/Refri: 3,00 (yep, tudo isso)
Energético OU dose: 10 reais (whisky com energético, 20 reais, mas GANHAVA O GELO, vejam vocês)

Eu já estava indignado com o Atlanta depois que eles resolveram usar um esquema que só funciona em BAILE DO INTERIOR. Usar fichas no caixa. UM caixa apenas. Isso contraria todos os bares, pubs e restaurantes que eu frequento, aqui, em Passo Fundo, que eu sei de Santa Maria, Porto Alegre. Nunca tinha visto isso (a não ser nos referidos bailes do interior). Quando tem gente no show, a fila é kilométrica, mas como não tinha NINGUÉM, ao menos não tinha fila. Aliás, dava prá andar de bicicleta no meio do povo sem bater em ninguém, de tão vazio.

Mas TUDO BEM. Ao menos tinha o show. Aí o Atlanta, novamente, se supera. Uma banda do calibre do CPM, e o som daquela birosca continua uma PORCARIA. Não tem equalização, não tem médios, só agudos e graves, e daí eles elevam o volume ao ponto de tremer o chão, prá compensar a total falta de médios. Assim, o grave faz teu estômago pular, enquanto o agudo parece uma agulha nos ouvidos. Não deu para ficar perto do palco. Pior que os caras estavam se esforçando, paravam a cada música, testavam os instrumentos, eles viram que a coisa estava feia. Mas esse é um dos irremediáveis problemas de lá. Sempre foi assim, e nunca consertaram.

Eu sinto pena das novas gerações. Se continuar assim, nenhuma banda de calibre vai querer fazer shows em Santo Ângelo no monopólio absoluto do Grupo Arena, enquanto o Atlanta for a única opção. Em pouco tempo, vai fechar novamente aquela birosca, e junto vai levar a fama de Santo Ângelo como cidade de shows para o espaço. POR FAVOR, botem BOLICHE lá! Mas não façam mais shows!!!

E agora chega, fica o apelo, a indignação e a lembrança que pelo que eu gastei podia ter ido jantar fora, comer um filé e tomar uma cerveja GELADA, e ainda aproveitar uma boa noite de sono, nesta sexta-feira fatídica.

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

APCM e Legendas.tv

Ontem o site legendas.tv saiu do ar após muita instabilidade por dois dias. Tentei entrar no site da APCM, mas alguém fez um injection lá que manda um aviso e redireciona para o site Mininova.org (um dos maiores trackers bittorrent do mundo). Após brincar de desabilitar javascript, consegui ler a notícia, em que a APCM admite ter tomado medidas junto ao datacenter que hospedava o site para retirá-lo do ar.

04/02/2009 - aparentemente, os administradores do site da APCM simplesmente o TIRARAM do ar hoje. Depois de algumas horas, colocaram um aviso de site em manutenção.

São uns coitados mesmo, tomando medidas legais contra pessoas que pegam um texto e traduzem, como se isso fosse crime. É por isso que o Brasil não vai prá frente, as empresas preferem pagar para imbecis do que disponibilizar midia barata e decente. Preferem tentar travar uma tendência mundial do que se modernizar.

Recentemente, o site dattebayo.com parou de fazer a tradução e legendagem do anime Naruto Shippuuden. Eu fiquei triste, afinal, foram dois anos acompanhando. No entanto, eles disseram que pararam pois o referido anime foi disponibilizado por streaming através do site crunchyrol.com. Eles foram avisados pelos detentores dos direitos do anime. Isso foi nobre, para não dizer espetacular. Me inscrevi no site, paguei 6 dólares por paypal e assisto o anime uma semana antes de todo mundo. Uma legendagem que não é perfeita, mas serve. Quer dizer, os caras (donos do copyright sobre o Naruto) simplesmente foram espertos. Agora o mundo inteiro, não apenas o Japão, pode olhar Naruto, eles ganham dinheiro, e todo mundo ganha. E o Dattebayo se reservou o direito de parar de legendar, já que agora TODOS podem ver o anime, uma semana depois, de graça, ou algumas horas depois do Japão, pagando uma quantia ÍNFIMA. Além disso, o conteúdo é disponibilizado em alta resolução (prá falar a verdade, 5 resoluções diferentes).

Enquanto isso, as séries americanas continuam indo ao ar, sendo ripadas, legendadas e baixadas. Que contramão da tecnologia.

Por isso eu digo: essas empresas deveriam ser extintas, e leis criadas sobre a disponibilização de conteúdo. Se não são capazes de mandar para todos, deveria ser colocado sob domínio público. Internet está aí para isso. Não me façam ter que comprar DVD em camelô, por favor.

Além disso, no Brasil, só se consegue ver essas séries na Sky, com uma qualidade sofrível que é um lixo numa TV decente. Quando sai o DVD, com 6 meses de atraso, somos obrigados a aludar o dito cujo ou comprar ele a preços exorbitantes.

Enquanto isso, conseguimos mídia digital de altíssima qualidade, full HD, na Internet, gastamos banda, e mensalidades, e aproveitamos toda a qualidade que não vai chegar aqui nem em 2 anos. HD DVD? Blueray? Simplesmente não pegou a moda. E continuamos com mídia caras, e ridículas.

Meu computador já é ligado na TV por causa disso. Não tem como aproveitar a TV a não ser assim, ou comprando um aparelho caríssimo que vai ficar carente de mídias para tocar, ou vão ser caríssimas e proibitivas.

Só paro de baixar quando esse quadro mudar. Até lá, boa sorte a estas empresas, atacando o povo que compra suas mídias. E fazendo eles não comprarem mais.