Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

12 de fev. de 2008

Wireless como deve ser

Então, depois de minha decepção com o WRT54G v8.0 da Linksys, e depois de muita pesquisa na Internet, resolvi dar um voto de confiança à esta divisão da Cisco (afinal, quem não conhece os roteadores Cisco?). Adquiri por um preço não muito módico o WRT54GL, com 4 MB de flash interna e 16 MB de RAM.

Nem cheguei a ver direito a cara do firmware original conhecido e tosco da Linksys. De imediato resolvi colocar um firmware de terceiros que coubesse nele. Antes, tinha usado o DD-WRT, que é por sinal um ótimo firmware, mas um tanto bloated na versão completa. Ainda pretendo testar a versão VPN dele para fazer uma conexão direta à rede local por esse interessantíssimo protocolo, mas por enquanto resolvi optar por um firmware mais leve, ágil e mais direto. O Tomato foi o firmware perfeito para tal aventura.

5 minutos e eu tinha um roteador com o Tomato. Linda interface web, intuitiva e fácil, em 30 minutos configurei ele completamente, com todas as preferências, desde minha configuração de rede, até segurança, nomes, DDNS e time service. Por óbvio também configurei uPNP para NAT e forwarding automático de portas, bem como o firewall. Já estava satisfeitíssimo, afinal, a memória livre acusava 60% livre iddle, o que é MUITO mais do que no roteador antigo, que reiniciava por falta de memória... Resolvi me aventurar.

Em primeiro lugar, configurei rapidamente um servidor SSH para eventuais consertos, nunca fui fã do telnet. Liberei ele para acesso externo através da Internet (o que já me salvou a vida), bem como liberei a interface gráfica de configuração para acesso externo. Mas de que isso adianta? 10 minutos rodando bittorrent e nada mais vai responder no roteador... Ledo engano... Bastou uma rápida pesquisa e um pouco de curiosidade para eu brincar com as maravilhas do QoS, traffic shapping, priorização de pacotes.

Em mais 30 minutos eu tinha priorizado pacotes HTTP e SSH, enquanto o bittorrent ficava em segundo plano, mas não menos rápido. Tudo isso reservando em torno de 15% de ambas as bandas (entrada e saída) para tráfego emergencial. Resultados: surpreendentes!

Em primeiro lugar, digito esse post enquanto o gmail está rodando tranquilamente em outra tab do Firefox. No outro notebook, minha namorada acessa o Orkut, tudo SEM RETARDO, sem LENTIDÃO. Estou falando do nirvana para quem tem conexão rápida. Nada mais de parar os torrents enquanto se está navegando, nada mais de conexões caídas e ineficazes soluções por software. Nada mais de limitação de banda que ainda acaba com o número de conexões ativas.

Uma imagem vale mais do que mil palavras.


Fica a dica, o Tomato é um ótimo firmware, e as configurações certas podem te fazer aproveitar de fato o que sua banda pode oferecer. Tenho certeza que o DD-WRT poderia fazer o mesmo (se colocado em um WRT54G v2 por exemplo (que tem o dobro de flash e RAM do que o meu).

31 de jan. de 2008

Pedaço de lixo sem fio

Desde que meu primo trouxe dois roteadores Linksys dos Estados Unidos (WRT54G 4.0), e vendeu um para o meu irmão, eu sou um admirador da marca. As antenas destacáveis, hardware sólido e expansivo e a facilidade de configuração são os pontos altos deste hardware. Então, naturalmente, na hora de criar minha própria infraestrutura de rede sem fio no apartamento, optei por um destes. Ao verificar a versão, notei que era um número maior do que o que estava com meu primo e meu irmão, naturalmente, isso me deixou mais empolgado, afinal, novas versões significam novos recursos mais avançados, maior estabilidade, confiabilidade e menos problemas.

Nem sempre...

Adquiri um WRT54G, versão 5.0. Ele durou algum tempo, na época minha conexão com a Internet era de apenas 400 Kbps e tinha apenas uma máquina ligada nele. O sonho acabou quando o roteador, depois de 4 meses de uso, simplesmente não ligou mais. Decepção maior por não ter pego nota fiscal e não poder chamar a garantia. Eu como bom comprador de eletrônicos sei que isso acontece, e portanto, culpei a mim mesmo por não poder reclamar, e fui para a Internet adquirir um outro. Agora com uma nova conexão de 2Mbps, e dois computadores em casa para ligar nele. Minha surpresa foi a versão deste novo: 8.0. Puxa vida, um pulo de 3 versões, o que será que tem de novo?

O que tem de novo era o seguinte:

1) Um firmware cheio de bugs, que não aguentava minha conexão.
2) Reboots constantes.
3) Uma interface web EXATAMENTE igual às versões anteriores.
4) uPNP não funcionava, port triggering também não.
5) Minha conexão engasgava quando baixando torrents.
6) Quedas que me renderam desistências em jogos online.
7) Updates de firmware constantes, e que apenas consertavam incompatibilidades com outros hardwares Linksys que eu não possuo, como repetidores e bridges. Os defeitos anteriores nunca eram consertados.
8) A página do meu cliente bittorrent me dizendo que é o pior roteador para downloads de torrents.
9) As antenas, antes destacáveis e robustas, agora são embutidas, finas e deselegantes (além de uma performance sofrível).

Pesquisando na Internet, descobri que entre a versão 1 e a versão 8, a CPU dobrou de velocidade. Mas nem só de processamento vive um roteador. A memória RAM, que antes era de 16 MB, foi cortada pela metade, a memória flash para a firmware também foi cortada, passando de 4 MB para 2, o Linux que era a alma do roteador fora substituído por um tal de vxworks, fechado, proprietário e terrível de se lidar. O que leva uma empresa a fazer isso?! Destruir com um hardware, aumentar a versão e diminuir suas especificações? Isso seria como comprar uma camionete ano 2007, mas ela vir com o motor da de 2002, enquanto que a 2006 vinha com o motor da 2005 melhorado.

Quando cheguei ao limite da minha paciência, e depois de muita pesquisa, encontrei um firmware diferenciado, baseado em Linux, para rodar no WRT54G v8.0, o dd-wrt. Ele melhorou significativamente a rede, que passou a ter menos quedas e bugs, além de desbloquear muitas opções que o firmware original escondia, isso que a versão do dd-wrt que consigo rodar nele é limitadíssima, por causa do tamanho da flash interna dele, e a memória que sempre está em 90% usado. Mas aí vem a pergunta... Qual o motivo da Linksys não lançar um firmware como esse e corrigir os bugs?

Mas os consumidores estão aí (não os brasileiros, que esses não contam), e a revolta foi tremenda. Resultado, a Linksys lançou o WRT54GL, "L" de LINUX, de 16MB de RAM, 4 MB de memória flash e um processador de 200 Mhz, além das antenas robustas destacáveis, tudo para entusiastas. Depois de muita pesquisa, achei um cara que vende ele aqui no Brasil, e adquiri um. Editarei este post quando puder lidar com ele.

Por enquanto, fica a dica. Se você for um usuário exigente, que usa bittorrent, que transfere grandes quantidades de dados pela rede sem fio, e quer um hardware de qualidade, e está à procura de um roteador sem fio, NÃO COMPRE O WRT54G, NEM O WRT54GS. Opte sempre pelo WRT54GL ou adquira outro que seja compatível com o dd-wrt full, pois vai evitar muitos problemas.

13 de dez. de 2007

Educação e vontade política (A Geração "Afff")

Eu acabei por concluir que a educação no Brasil está falida. Não me refiro apenas aos colégios públicos e a educação gratuita. Estou falando da educação como um todo. Um sistema de ensino engessado e gerido por uma das instituições que mais faz besteira no Brasil, o MEC.

Nossas crianças estão sendo criadas para pensar dentro de uma caixa, sem liberdade, sem expressão. Por sorte, pais preocupados criam seus filhos com alguma diligência, provendo o estímulo e consciência necessários para formar nosso futuro, pois se dependermos do sistema de ensino em si estamos literalmente perdidos. Enquanto eu fui estimulado a ler e pensar, nossas crianças, jovens e adolescentes são obrigados a ler textos sem fundamento, estudar coisas sem sentido, geralmente desatualizadas e sem foco. Poucos professores me estimularam a pensar, a usar o raciocínio lógico e a buscar informações nos mais diversos meios, confirmá-las, conduzí-las e juntar todas em um novo pensamento, acompanhado de uma pitada de senso crítico.

Ao cair na Universidade, os alunos se vêem desesperados, pois tiveram sua sede de saber trucidada ao longo dos anos por conteúdos pobres, professores desmotivados e redes de ensino falidas. A vontade de ler foi assassinada pela literatura tradicional, enfadonha e cheia de rebusques desnecessários, na fase da vida em que menos damos atenção para isso. Recentemente numa palestra, uma professora mencionou que, se você não tem o hábito de ler, não deve começar lendo "Os Sertões" pois Euclides da Cunha vai matar seu ânimo nas primeiras páginas. O gosto pela leitura, como qualquer outro vício saudável (caminhadas, convivência social, etc) deve ser inserido de forma progressiva para se tornar cativante.

Enquanto nossos jovens não lêem, as subculturas desprovidas de elegância e foneticamente fáceis criam os analfabetos de amanhã. Incapazes de ler, de escrever, e muitas vezes, de se expressar. E hoje temos a legião de pobres ignorantes que desprezam o conhecimento por nunca tê-lo experimentado em uma forma agradável. A Internet nesse ponto é uma faca de dois gumes. A nova gramática do "menos" torna impossível ler textos, a lei do menor esforço na sua concepção mais infame cria frases do tipo: "mais eu num so do tipo que sab dssas coisa". Eu gosto de carinhosamente chamar essa geração de "Geração do Afff". Qualquer um que já jogou um jogo online conhece os brasileiros que comprimiram a expressão "Ave Maria" para expressar um erro no jogo até chegar ao "afff".

Enquanto isso, nosso governo parece gostar disso, pois cria políticas públicas através do MEC para "chutar" analfabetos adiante na escola. O que temos é um "Ensino Médio" que não sabe a tabuada, e é incapaz de elaborar seu pensamento em forma de palavras, quanto menos escrevê-las corretamente.

E assim se cria a massa de manobra ignorante de amanhã, que vai eleger esses mesmo políticos que "chutaram" esse quase analfabeto com o título de "Ensino Médio completo" para fora da escola.

PS: post baseado na minha recente experiência de fazer vestibular, e passar nele entre os 15 primeiros, após 9 anos sem encostar em um livro de segundo grau, deixando para trás centenas de "recém formados" no Ensino Médio.