Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

15 de mar. de 2014

Fé

Não há como escapar. A fé está em todos os lugares: na música, nas redes sociais, no dia a dia das pessoas. Todos parecem ter fé, dizem para os outros terem fé. Aparentemente a fé é a solução para tudo.

Eu me sinto extremamente desconfortável com isso. Talvez por falta de fé.

Eu não sou religioso. Depois de estudar muito tempo as definições, me descrevo como um ateu. Embora alguns digam que existir uma palavra para definir um "não" algo é ilógico, eu defino ela de maneira mais contundente. Além de não acreditar (não ter fé) em divindades, eu ainda peso as evidências e afirmo que, baseado no atual conhecimento, assumir que elas não existem é uma posição confortável. Até que alguém me prove o contrário, essa é a teoria que prevalece.

Mas voltamos a fé, afinal de contas, o que é f'é? Segundo a Wikipedia:

Fé (do Latim fides, fidelidade e do Grego πίστη pistia) é a firme opinião de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão.
Então, acreditar sem provas, confiar absolutamente na idéia ou fonte de transmissão (seja uma pessoa, um livro, ou uma pedra). No entanto, idéias são criações humanas. Seus transmissores são humanos, de uma forma ou outra. Uma pessoa doente pode ouvir vozes revelando verdades absolutas para ela. Um corrupto pode inventar mitos para exercer controle sobre os impressionáveis. Como ter fé em qualquer idéia se ela é inerentemente humana?

Assim, possuir fé é acreditar em um ser humano que teve uma idéia. Se ele afirma que essa idéia não veio dele, mas de algo superior, é uma religião. Um esquizofrênico afirma que psicografou um livro. Qual a diferença entre ele e o louco gritando sandices na rua? Um é mais calmo e educado que o outro. A diferença entre uma péssima idéia e outra plausível não deveria ser quem apoia ela, como ela é expressa ou quem a está expressando, e sim o peso da evidência.

Além disso, existe a falta de educação. E não estou falando comer de boca aberta, dirigir como se fosse a única pessoa no mundo ou jogar lixo no chão. Estou falando do sucateamento do ensino, da pregação que domina nossas escolas. Alguém já se perguntou o motivo de algumas das "melhores" escolas pertencerem a ordens religiosas? Que lugar melhor para destruir com a dúvida e promover a fé que entre nossas crianças?

E a pseudociência? Usar termos científicos para definir algo que não se sabe explicar é irresponsável. Isso vem acontecendo demais. A ciência funciona, então seus termos "emprestam" credibilidade a teorias toscas e conceitos ridículos. Tem gente ganhando a vida pregando essas imbecilidades ou usando estes termos erroneamente. É triste ir numa palestra e a palestrante dizer que a "física quântica" explica algo, ou um famoso dizer que a "energia" explica isso. Não quer dizer que não haja uma explicação destes fenômenos. Só significa que estas pessoas são preguiçosas demais para ir buscar e explicar esses conceitos. É mais fácil emprestar credibilidade da ciência do que fazer ciência em si. É que a ciência é uma faca de dois gumes. Você tem uma teoria e tenta prová-la, e no processo, consegue provas... Provas de que sua teoria está errada! Isso acontece o tempo todo. Conceitos caem e outros são adotados. Essa é a diferença entre a fé e a ciência, um cientista admite o tempo todo a possibilidade de estar errado. A dúvida é uma constante na ciência, é o que impulsiona as descobertas e motiva a busca. E o que é fé? Ainda da Wikipedia:
A fé acompanha absoluta abstinência à dúvida pelo antagonismo inerente à natureza destes fenômenos psicológicos e lógica conceitual. Ou seja, é impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo.
Então a próxima vez que um idiota dizer que você tem "fé" na ciência, por favor não se abstenha. A ciência funciona e é o motivo de você estar lendo isso, na Internet, na tela, de um computador, alimentado por energia elétrica.

E o que a fé trouxe? Estagnação científica... Deixo vocês com a EXCELENTE explicação do Dr. Michio Kaku, físico teórico, quando perguntado sobre deus, religião e pobreza.


27 de jan. de 2014

Corrida, estatísticas e gadgets

Eu já mencionei em post anterior que corro pelos gadgets. Na verdade nem tanto apenas por eles, mas pelas informações que eles passam. De que adianta o cara bufar, suar prá caramba e não poder acompanhar se melhorou a performance? É meio contra-mão sair todo dia para correr e ficar cuidando no relógio ou pior ainda, contando quadras. Pior que isso é fazer uma estimativa mal feita e cantar de galo nas redes sociais: tantos quilômetros em tantos minutos. Balela, show me the GPS track. Já vi gente vangloriando de um percurso com média 4:15 / quilômetro. São doidos, ou maratonistas, ou foram de bicicleta...

Enfim, acompanhar sua performance na corrida não é tudo, é necessário zelar pelo seu bem estar físico. Não adianta nada sair correndo feito um doido, competindo com gente de pesos, medidas e condições físicas diferentes, e considerar isso um esporte. O mínimo que deve ser feito (é o que faço) é monitorar o batimento cardíaco, para evitar esforços desperdiçados ou perigosos. Para isso uso um Polar Wearlink Bluetooth, conectado ao smartphone. O smart em si registra o percurso via GPS (altitude, velocidade e posição geográfica), o app de monitoramento (no meu caso, o Endomondo, mas já usei vários outros, como o Sports Tracker, o HRNavi+ e o Runtastic) registra todos os dados e cria gráficos e estatísticas que servem para você monitorar a sua performance e tentar melhorar a cada treino.

Sem isso fica meio tosco "correr uns km". Pode até fazer mais mal do que bem. Nunca me lesionei nesses treinos, só sofri nas primeiras duas semanas os efeitos do acúmulo de ácido lático nas pernas, depois, o esforço é natural e só resta para o outro dia queimar mais calorias via "afterburner" e nenhuma dor.

Hoje li que um ritmo de 5:20 / km é ideal. Estou a pouco meno de 1 minuto deste tempo (6:15) e pretendo chegar lá ainda esse ano. Devagar e sempre, meus melhores tempos tem constantemente melhorado em alguns segundos, e desde que no dia eu esteja me sentindo bem, não há motivo para piorar. Mesmo hoje, depois de pular dois dias a mais de treino, consegui tirar uns segundos do tempo de 3km. O objetivo é chegar aos 5km, e depois partir para os 10km, mas isso vai demorar bastante.

O ideal é manter o ritmo, as vezes falta vontade, mas é ligar a música e botar o tênis e a vontade vem.

21 de jan. de 2014

Ter razão

Quantas vocês você já disse para alguém: "você tem razão!". Já pensaste o que realmente quer dizer esta frase? O que afinal de contas quer dizer "ter razão"?

Uma análise superficial pode indicar que a pessoa teria (parafraseando o Prof. Girafales) causa, motivo ou circunstância para afirmar ou agir de certa forma. Mas a maioria das vezes ter razão é confirmar o convencimento, ou seja, confirmar que os argumentos apresentados (e contrários as suas afirmações) por sua contra parte estão corretos (em detrimento das suas próprias afirmações). Pode-se ainda exaltar a correção da afirmação prestada, reconhecendo sua importância para a situação em pauta.

Correção, verdade, justiça. São conceitos discutidos constantemente na filosofia, mas geralmente não é o caso da verdade que indica que a pessoa tem razão. O poder de convencimento indica que algo foi capaz de mudar o pensamento do outro. Se antes você tinha uma opinião, diante de argumentos você agora tem outra, concordante com o que seu parceiro de discussão afirmava. Ele tinha razão. Razão vem do latim "ratio", expressando uma relação. Relações são o que nos torna racionais (cunhado a partir do mesmo termo). Relacionamos informações o tempo todo para tirar conclusões.

Mas como ele ganhou a razão? Na verdade ele nunca ganhou ela, ele apenas convenceu você. Ele sempre teve razão, as provas pesavam mais para as afirmações dele do que pesavam para as suas, de forma que, quando ele as apresentou, suas afirmações caíram por terra. Ou ainda, ambas as afirmações tinham o mesmo poder de convencimento, no entanto não haviam ferramentas para testar as hipóteses de forma a derrubar uma delas, e da ciência vem o conhecimento necessário para testar e uma delas passa, então, a ter razão. Seu conhecimento agora é relacionado ao tema de forma a definir e convencer, por mérito.

Quando nos definimos como seres racionais, temos obrigação de relacionar informações e conhecimento para tomar decisões. Não é facultativo. Ninguém precisa se tornar um expert em tudo, mas quanto mais informação você tiver, mais base suas decisões terão. Hoje não há desculpa para tomar uma decisão pois todos pensam assim, ou pois um líder, guru ou ídolo pensa assim. Se você deu razão para algo, deve tê-lo feito a partir de uma base, conhecimento, relacionando isso a uma verdade, a uma hipótese que pode guiar e construir mais conhecimento a partir dela.

Senão, perca a razão, e dê ela aos outros.