Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

19 de set. de 2014

Ciência, fé e as novas gerações

Ciência é conhecimento. Embora muitas pessoas definam coisas totalmente desprovidas de conhecimento como ciência, indicando seu estudo, aqui me refiro a ciência como os produtos do método científico. Ou seja, para ser ciência precisa ser baseada no método científico. Qual o motivo? O conhecimento adquirido através desse método evolui com o tempo, não é imutável, e é a base para quase todos os avanços disponíveis hoje em dia.

Tudo que usa eletricidade é ciência, por exemplo. Podes imaginar tua vida sem eletricidade? Pilhas, baterias, transformadores, alternadores, dínamos, todos dispositivos envolvidos na transformaçãi e disponibilização de energia para tornar sua vida melhor.

Suas roupas, cosméticos, móveis. Tudo produzido a partir de máquinas, cujo funcionamento é baseado em ciência. Mesmo que tudo fosse produzido a mão, ainda assim, seria conhecimento adquirido através de observação e teste.

Mesmo uma criança é um natural cientista. Ele testa, extrapola limites, brinca com sua imaginação e curiosidade. É necessário muita escola e doutrinação para matar o cientista que existe dentro de toda criança. Muitas figuras de autoridade ditando regras absurdas, não observáveis, não testáveis, para encher uma cabeça infantil de culpa e matar seu instinto avidamente curioso.

Então, quando a ciência disser algo, acredite nela. Se não houver evidência científica, não tome como verdade. Já falei sobre fé aqui, sobre a negação da observação de maneira que a crença possa ser mantida. Quando respostas fabricadas respondem suas perguntas, se perde a busca do conhecimento que nos levou a essa revolução tecnológica que vivemos. A cada "amém" dá-se mais autoridade a uma figura que nunca levou a nenhum avanço. A cada "experiência pessoal" se perde a curiosidade de enteder o universo. A cada guru, padre, pastor, rabino ou profeta, perdemos milhares de mentes que poderiam conceber grandes avanços em vários campos, melhorando nossa vida.

Quando você levantar de sua cama produzida industrialmente, colocar seus chinelos, usar sua escova e pasta de dente, tomar café, pegar seu carro e ir trabalhar, lembre-se: as pessoas que inventaram tudo isso não o fizeram através da fé, mas sim através de perguntas, busca de conhecimento científico e experimentação. Foram as dúvidas de suas mentes e não as certezas de sua fé que levaram ao avanço. Entenda que a ciência proporcionou praticamente tudo que você usa. Lembre-se que assim que a ciência, curiosa e atrevida, tentou fazer perguntas cujas respostas prontas da fé não respondiam com o rigor necessário, ela foi maltratada, abandonada e perseguida. Não cometa a mesmo erro.

Não podemos mais ser hipócritas a ponto de utilizar todos os avanços e ainda assim marginalizar a ciência quando ela questiona instrumentos de dominação baseados em crença.

Eu sempre digo, respeito as pessoas, tolero suas crenças, mas tente preservar a curiosidade de seus filhos, não imponha a eles suas crenças. Não doutrine suas crianças. Não deixe a fé matar a curiosidade. E principalmente, não mate as perguntas com respostas baseadas em fé. Não imponha suas verdades enlatadas, baseadas em crenças, para perguntas cujas respostas estão lá fora, esperando para serem encontradas. Sua criança pode um dia nos levar a essa resposta, e criar algo realmente incrível, imponente, lindo, deixando como herança para todos os seus descendentes: conhecimento científico.

21 de ago. de 2014

Entrevista da Dilma no JN

Resumo da entrevista. Entre parênteses meus comentários pessoais.

entrevistador: Qual a dificuldade em colocar pessoas honestas no cargo para evitar corrupção?

candidata: Fizemos isso e aquilo, implementamos mil medidas.
(não respondeu a pergunta)

entrevistador: Trocar os corruptos adianta?

candidata: Teve quem fugiu renunciando pois é desgastante.
(não respondeu a pergunta e exime quem fugiu de sua responsabilidade pelo cargo).
(aí tenta responder novamente)
candidata: Me atacaram. Teve um cara que foi trocado duas vezes, escolha pessoal minha.

entrevistador: Partido manda nessas escolhas?

candidata: Sim, mas no final quem escolheu fui eu.

entrevistador: E quanto a corrupção no partido? Qual o motivo do partido não ter execrado e sim apoiado esses caras?

candidata: Eu sou presidente, não discuto com o TRF, não falo pelo partido, tenho opiniões pessoais, fico quieta no estilo do meu mentor "não sabia de nada", assim não me envolvo.

entrevistador: E a saúde? Como não melhorou depois de 3 mandados?
(aí sou obrigado a dizer que o Mais Médicos funcionou, bem como o SAMU, mas não resolveu)
candidata: Cita Mais Médicos.
(falácia lógica do "preto e branco", querendo dizer que o problema TODO da saúde era falta de médicos, e não de infraestrutura, hospitais, remédios, equipamento, enfermeiros e agentes de saúde)
entrevistador:aponta a óbvia falha na lógica, desmontando o argumento "preto e branco".
(A presidente então joga outra falácia, a do Espantalho, em que ela torna o problema da saúde uma responsabilidade compartilhada, e depois joga outro Espantalho, sempre evitando o problema de ESTRUTURA, e volta aos médicos).

entrevistador: cita a economia. Temos problemas econômicos, é justo culpar crise internacional ou pessimismo por estes problemas, o governo não tem papel nisso?

candidata: Cita atitudes internas na máquina pública e impostos.
(o Banco Central lutando injetando dólar e dinheiro, fornecendo empréstimos a torto e a direito para fomentar a economia e mascarar o problema, isso não é citado. Por coincidência o BC cedeu 25 milhões hoje para empréstimos)

entrevistador: Seus projetos prioritários.
candidata: "cita o mentor" Milagre econômico! Otimismo! Tá tudo bem! Ótimo!
(outra falácia lógica, apelo à emoção)


Podem defender o quanto quiserem, eu vi a entrevista, e foi isso que eu tirei do que vi...

2 de ago. de 2014

Privacidade

Hoje me deparei com um post no Facebook de uma amiga, reclamando que sua privacidade teria sido invadida quando começou a receber mensagens de um número desconhecido no seu celular em um bar da cidade.

A culpa foi depositada no estabelecimento, que teria fornecido seu número para o indivíduo. Nenhuma evidência foi oferecida deste fato, mas o estabelecimento foi abandonado,  e embora seu nome não tenha sido citado, ficou feio para quem conhece esta pessoa e pergunte onde foi. Lembrando que correlação não é causa, mas vamos assumir por um momento que esta relação existe no caso citado.

A pessoa que reclamou não foi afetada diretamente, apenas manifestou sua indignação com a tal da invasão de privacidade, para alguns comentários depois reclamar dos comentários, já que obviamente alguém não concordou com toda a reclamação e expôs sua opinião. Eu não consigo deixar de pensar que a pessoa atingida tem um perfil, digamos, semelhante com a que reclamou, então, vou assumir certas semelhanças, pedindo desde já perdão por generalizar.

Mais de 3.000 amigos no Facebook. Esta é a conta desta pessoa. Somando-se o efeito amigos de amigos (o post integrava mais duas pessoas e seus amigos como alvo) imagino que no mínimo umas 10.000 pessoas viram esta mensagem (ou podem vê-la, já que o Facebook notadamente não te mostra tudo que acontece nele). Que privacidade existe aí? Você abdicou de sua privacidade aí, não é de se esperar que seu número de telefone seja mais público do que você imagina?

Eu imagino que a mensagem tenha sido via Whatsapp (que está "na moda" agora) pois utiliza seu número de telefone. O whatsapp e vários outros (todos?!) comunicadores instantâneos oferecem block, ignore, blacklist. Ferramentas que não deixam de ser de privacidade. Use-as. Qual a dificuldade, a primeira mensagem seria a última. Sem problema, sem complicação, sem envolver o Facebook. Qual o motivo de continuar recebendo mensagens? Curiosidade, abdicou da privacidade novamente.

E qual foi o prejuízo, causado por estas mensagens? A sensação de falta de privacidade, deve ser a única, já que bloquear a outra pessoa é tão fácil. Ofensa? Coisa pior? Existem meios para atacar isso também.

Aí, o cúmulo, reclamar que reclamaram do seu post! Pois o face é meu e eu publico o que quiser, então engula o sapo e escute o que o outro quiser publicar também. Novamente, ignore e block são serventia da casa. Eu fico indignado. Publicar algo no facebook é tornar aquilo, adivinhe, PÚBLICO!!! Isso mesmo! O Facebook não é seu, é uma ferramenta colocada a sua disposição e tem termos bem específicos. A não ser que você seja o Mark. Se for o caso, desculpe, senão, favor reserve-se o direito de parar de PUBLICAR qualquer coisa, que talvez sua privacidade não será mais atingida.