Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

20 de dez. de 2013

Respeito, tolerância - O unicórnio no sapato e o conhecimento científico

Alguns dias atrás eu e uma colega começamos a conversar sobre respeito e tolerância. Na verdade estávamos conversando sobre animosidades entre opiniões, crenças e estilos de vida, e como encarávamos estes perante a nossa opinião. Ela disse que RESPEITAVA. Eu disse que não, que ela TOLERAVA, o que é bem diferente.

Vamos definir respeito e tolerância, apenas para efeito de argumentação:

respeito
res.pei.to
sm (lat respectu) 1 Ação ou efeito de respeitar ou respeitar-se. 2 Aspecto ou lado por onde se encara uma questão; consideração, modo de ver, motivo, razão. 3 Apreço, atenção, consideração. 4 Acatamento, deferência. 5 Obediência, submissão. 6 Referência, relação. 7 Medo, temor. 8 Direito, justiça, razão. Antôn (acepção 3): desconsideração. sm pl Cumprimentos. A respeito de, com respeito a: quanto a; relativamente a. Dizer respeito a: ser relativo a, ter relação com. Sou, com todo o respeito: fórmula de cortesia, a qual serve de fecho a cartas e se põe antes da assinatura.

tolerância
to.le.rân.cia
sf (lat tolerantia) 1 Qualidade de tolerante. 2 Ato ou efeito de tolerar, de admitir, de aquiescer. 3 Direito que se reconhece aos outros de terem opiniões diferentes ou até diametralmente opostas às nossas. 4 Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas. 5 Disfarce ou dissimulação a respeito de uma coisa proibida. 6 Permissão concedida ao estudante militar para frequentar a cadeira ou disciplina em que foi reprovado. 7 Pequenas diferenças para mais ou para menos, legalmente permitidas no peso ou no título das moedas. 8 Sociol Atitude social de quem reconhece aos outros o direito de manifestar diferenças de conduta e de opinião, mesmo sem aprová-las. T. civil:permissão concedida pelo governo para uso de cultos que não são do Estado. T. eclesiástica: o mesmo que tolerância teológica. T. medicamentosa: aptidão para suportar doses exageradas de uma substância, ou suportá-la por muito tempo. T. política: atitude do governo ou partido político que admite a existência de outros partidos que não concordem com seus princípios. T. religiosa: atitude governamental em que se concede plena liberdade de culto. T. teológica: condescendência em consentir todas as opiniões que não são abertamente contrárias à doutrina da Igreja.
FONTE: Dicionário Michaelis Online - © 1998-2009 Editora Melhoramentos Ltda. © 2009 UOL
Antes de mais nada, vale a pena deixar claro que PESSOAS merecem RESPEITO. Não importa quem seja. Um padre, numerólogo, esotérico, homeopata, homossexual, heterossexual, ateu ou cientista, e todas as combinações. Pessoas merecem respeito por serem pessoas, seres humanos com os quais devemos conviver em sociedade, ter empatia por, e trabalhar para que todos possamos melhorar. Opiniões, estilos de vida e crenças não merecem respeito imediato. São construções sociais, ideológicas, teológicas ou mesmo definições pessoais. Estão sujeitas a escrutínio e crítica e devem ser atacadas. É a base da evolução social, se todos fôssemos conformistas imutáveis, nunca teríamos chegado tão longe como sociedade. O contrário disso é a ditadura, seja ela teocrática, política ou ideológica.

Mas todas estas características devem ser TOLERADAS enquanto não causem males a sociedade. A tolerância é uma necessidade. Tudo que prega a intolerância está fundamentalmente errado, pois retira o direito das outras pessoas a terem suas opiniões, e geralmente resulta em violência e preconceito.

Agora, como cada um define o que respeita? Eu sinceramente não posso dizer, pois é muito subjetivo, mas posso dar minha opinião sobre o que respeito. Eu respeito a ciência. Eu tenho consciência de um fato que define o motivo desse respeito. Se HOJE um fato qualquer, natural ou humano, dizimasse totalmente a população mundial, e a espécie de algum modo sobrevivesse retornando aos primórdios do conhecimento, ambas, ciência e religião, retornariam junto com a humanidade. Alguns milhares de anos depois, a ciência estaria nos mesmos passos, chegando as mesmas conclusões sobre o mundo natural e avançando exatamente da mesma forma, CONSISTENTE e maravilhosa, chegando ultimamente as mesmas conclusões, a verdade. A religião teria ressurgido, com outros mitos, outras crenças, totalmente diferentes, encravadas na história e baseadas nela, produto das interações humanas ao longo dos séculos. TOTALMENTE DIFERENTE.

Então, em quem confiar? Eu tenho a minha opinião, se a sua for contrária, eu respeito você, e tolero a sua opinião, desde que ela não interfira na minha vida.

Aí chegamos no ponto: quando as crenças, superstições, mitos e inverdades interferem na vida das pessoas. Algum tempo atrás eu li um texto que era mais ou menos assim:

Você tem o direito de acreditar que unicórnios existem, são imateriais, invisíveis, minúsculos e moram em sapatos. Eu tolero sua opinião, embora obviamente não respeite ela, por ser ridícula. Como existe essa tolerância entre nossas opiniões, podemos continuar amigos, e continuo respeitando sua pessoa. Meu problema com você começa quando você começar a pregar como as pessoas devem calçar seus sapatos, de maneira a não importunar os unicórnios. O problema escala e fica grave quando você decidir propor uma lei para reforçar isso.

Mas então como saber o que é verdade. Muita coisa ainda não possui explicação científica e embora os "bolsões de ignorância" que ainda dão razão ao Deus das Lacunas estejam cada dia menores, as pessoas ainda tem o direito de acreditar, e devemos tolerar isso. O problema é que a maioria das religiões possuem dogmas que dizem respeito a sociedade. Elas querem nos ensinar como conviver, o que comer, o que vestir e o que falar, elas são imutáveis nesse sentido e por causa delas, Uganda agora tornou ilegal ser gay, punível com prisão perpétua, sem falar que ainda queimam bruxas em alguns lugares.

Se o que você acredita não prega a tolerância, é desprezível. Se prega, mas é seletivo, é inconsistente. Se tenta atacar a ciência pois as conclusões científicas (baseadas em fatos e muito estudo) contradizem a doutrina, é perigosa. Se conselho fosse bom, não se dava, comprava, mas vale a pena deixar a dica: acredite no conhecimento científico.

25 de nov. de 2013

Causalidade e conhecimento

Vou tentar ilustrar o texto com um exemplo fácil de entender.

Alguns anos atrás estava preparando a nova unidade de armazenamento de dados que meu computador utilizaria. Ela era externa, e precisava ser ligada usando um cabeamento especial que me fez desmontar praticamente todo o computador para poder ligar. Depois de todo o trabalho concluído, unidade ligada, liguei o computador. Para minha surpresa, poucos segundos depois, ele desligou sozinho.

A mente humana é perita em fazer associações, eu automaticamente associei o fato do computador não ligar com a unidade externa, e desliguei ela. Tentei novamente iniciar o computador e fui bem sucedido. Provada a causalidade, cheguei a pensar em mandar uma mensagem ao fabricante, que hardware mais incompatível, que causa problemas no computador quando ligado.

Mas ser racional não é ser impulsivo, resolvi fazer mais testes. Desliguei o computador, liguei novamente (com a unidade desligada) e imagine só! Ele desligou sozinho! Então a unidade em nada contribuiu para o defeito. Perceba a rapidez do julgamento, da indignação e da resposta emocional diante de prova "incontestável" de que a unidade causara o problema. Liguei novamente, com a unidade ligada, e ele LIGOU! Quer dizer que OUTRA coisa causara o defeito. Revisando as ligações, achei o problema, era um cabo com mal contato, provavelmente reagindo ao calor causando problemas.

A moral é a máxima antiga: "CORRELAÇÃO NÃO É CAUSA"!

E então vemos as conclusões pseudo-científicas que rodam pela Internet, pelas redes sociais e pela cultura popular. Nós inclusive disseminamos estas informações, acho que a mais marcante em minha vida foi a da "friagem", como se ficar com frio transmitisse gripes ou resfriados. Até desenhos ilustram isso, o personagem pega um frio e aparece doente! Nós falamos isso para nossas crianças! E é ERRADO! Gripes e resfriados são causados por vírus! A baixa da imunidade que passar frio pode causar é de um papel ínfimo na questão de desenvolvermos ou não a doença! Outra coisa é a gripe e o resfriado. Gripes DERRUBAM a pessoa! Dor no corpo, cabeça, indisposição, é coisa para se deitar na cama e esperar passar, tomar remédios para prevenir os sintomas e ficar quietinho! Eu acho sinceramente que tive GRIPE pouquíssimas vezes. A coriza e os espirros que temos geralmente são RESFRIADOS, que passam em 48 horas...

Eu vejo isso o tempo todo, caio nestas falácias o tempo todo, até no trabalho. Semana passada mesmo trabalhei em duas máquinas quase 2 horas para descobrir que o defeito era na outra ponta. Correlação, e causa. O site me dizia que o problema era comigo... Não era.

Desconfiar, ser curioso e adquirir conhecimento previne cairmos nestas falácias. Nos permite explorar o mundo de forma mais consciente, desempenhar nosso trabalho de forma mais efetiva e até gerenciar nossas emoções de forma mais racional. Além disso, conversar sobre isso, espalhar o conhecimento provado e comprovado, de preferência via método científico, ajuda as próximas gerações!


E quantas falácias e torpes conceitos circulam em nosso meio? Coisas criadas pelo medo de 5 gerações passadas ainda assombram a sociedade atualmente. Não é nosso dever acabar com isso? Na posição de autoridade e dono da verdade passar conhecimento falacioso e não comprovado para uma criança é válido? Até que ponto a sua fé, sua carga emocional e suas "verdades" erradas vai influenciar a vida das outras pessoas, mesmo contrariando todo o desenvolvimento científico? Crer e saber não são a mesma coisa. Só por crer você ensinará isso como se fosse verdade? E quando ao que é, ou vai ser comprovado como sendo? Não tem problema não saber uma resposta, nossas vidas são eternas buscas por respostas, é o que impulsiona o ser humano. Não aceite a resposta fácil, incomensurável, improvável e dogmática. Busque o conhecimento.

15 de set. de 2013

Naruto e Pirataria

Sou Brasileiro. E sim, eu desisto de vez em quando.

Hoje por exemplo. Resolvi voltar a olhar Naruto. Já falei sobre a série aqui faz um tempo, mas enfim, eu gosto de animes. Me processem.

Fui na verdade lembrar da série pois um amigo postou que estava olhando no Facebook e eu lembrei que tinha deixado de lado a série por estarem passando fillers (episódios que não fazem parte da história em si, e são colocados para "encher linguiça", são horríveis).

Minha "fonte" de Naruto era o site do DattebayoBrasil, um site de fansub (fãs que legendam os episódios) que era muito bom. Eles pararam de legendar o Naruto quando o Crunchyroll passou a fazer streaming dos episódios em português (atitude extremamente louvável), pois antes não tínhamos como assistir Naruto de forma legal em português, e agora temos, portanto, a "pirataria" que eles faziam podia cessar. Não [enseio duas vezes e assinei o Crunchyroll.

Hoje acessei novamente, reativei minha conta (pagando, claro) mas não consegui assistir. Eu tenho Internet da Oi, pago por 15Mb, deveria ser mais do que suficiente para assistir vídeo em HD via Internet. Mas não é. Não sei o motivo, consigo assistir Netflix e Youtube sem falhas, e no entanto, o Crunchyroll não "anda". Tentei de tudo que podia fazer tecnicamente, e nada justifica o tráfego do site nunca passar de 20KBps, insignificante. Nem em baixa resolução consegui assistir.

Me resta o quê? Piratear. Lá vou eu baixar via torrent (que a Oi ainda consegue me ferrar, não entregando meus 15mb, mas sim uns 6, o que, perto do 0,0002MB {deve ser por aí a conta} que o Crunchyroll estava pegando, está ótimo!). Pirateando conteúdo, sim. Pois no Brasil essa é a saída, um CD custa 20 dólares nos USA e aqui 120 reais, você baixa a MP3, pois o maldito iTunes só funciona em iTrecos, e a Amazon não gosta de brasileiros. Um console de video-game de 99 dólares e seu controle extra de 49 foram taxados em 393 reais de imposto para chegar em minhas mãos. Um tablet de 600 dólares chega ao Brasil por 2400 reais. Ridículo. Tosco. Excludente.

É uma vergonha, tanto potencial, e tanta sacanagem.