Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

9 de jan. de 2014

Exercícios

Eu sou um preguiçoso. É um fato, inegável e tão verdadeiro quanto meus outros defeitos: falar demais, sempre ter razão e ter opinião sobre tudo. Eu sou um chato. Em resumo.

Mas voltando a preguiça, eu não fazia exercícios. Exercícios são tediosos, eu sentia que esse tempo só me rendia dor e sofrimento, muito provavelmente pois nunca fiz exercícios direto desde minha adolescência quando o vigor juvenil me permitia tantas atividades que a forma física vinha como uma vantagem de simplesmente não parar quieto.

Com a idade, a coisa vai mudando, o acúmulo de gordura abdominal foi o que me levou a pensar: minha nossa, meu metabolismo não é mais o mesmo. Não me entendam mal, eu sou um curioso e leio muito. Eu SEI que deveria ter começado a me exercitar e mantido o programa desde muito cedo, mas infelizmente não o fiz. Eu assisti documentários sobre alimentação, exercícios e suas vantagens e mesmo assim não me animei a começar até que a pochete acumulou e, finalmente, cheguei aos incríveis 83 kg. Para quem pesava 69 com 23 anos, é bastante, acreditem. 8 anos depois, várias roupas não serviam.

Vamos fazer um flashback, só para efeito ilustrativo. Eu não compro roupas. Fora algumas camisetas de show e algumas relacionadas a informática, eu não lembro antes de 6 anos atrás ter comprado roupas (isso tudo mudou com a união estável). Eu ganhava roupas, de aniversário, geralmente. Desde minha adolescência eu tinha e tenho ainda alguns dos mesmos casacos, camisetas e bermudas, substituídos convenientemente quando um deles desintegra. Então meu aumento de peso não passou despercebido, gradual e constante. Ele foi um choque. E ainda assim eu não me exercitei. Comecei a regular melhor a alimentação, e consegui estabilizar meu peso nos 80kg. É uma relação peso x altura mediana e saudável (tenho 1,78 de altura). Mas a pochete persistiu.

Então o que levou este sedentário que vos fala a adotar um programa de exercícios, começar a caminhar e depois correr? Antes de mais nada, ter um cachorro.

Ter um cachorro é muito interessante, pois é como um despertador para sedentários. Seu cachorro te lembra diariamente que você tem que SAIR DO SOFÁ e levá-lo para passear. Ele tem que fazer suas necessidades, e um cachorro é muito específico com suas necessidades. Ele pode andar uma quadra para fazer cocô, e mijar em cada quadrado de grama no caminho inteiro. E depois ele vai querer andar mais, para cheirar cada canto que ele cheirou ontem, para ver se não mudou, e mijar em cima se mudou. Além disso, um cachorro exercitado é um cachorro saudável, e se você quer mantê-lo por muito tempo, você vai ter que desistir do sedentarismo completo e cuidar dele. Isso envolve levá-lo até a praça, jogar bolinha, cuidar, limpar e caminhar. E no caso da Luna (minha Schnauzer Miniatura) isso equivale a 3km de caminhada (no mínimo) TODO DIA, ou algum tempo jogando bolinha na praça para ela correr o equivalente.

Meu peso foi para 77kg (muito bom) com essas caminhadas. A progressão natural era começar a correr. E eu descobri um motivador: Gadgets. Eu, com meu interesse em gadgets eletrônicos, fiquei abismado com a gama de acessórios que um corredor pode ter. E tudo ajuda na performance. É o melhor uso de um eletrônico que eu já vi. Juntei algumas coisas que eu já tinha, comprei outras e pude monitorar minha performance. AGORA SIM estamos conversando. Quando em duas semanas seu batimento cardíaco estabiliza durante um exercício e começa a diminuir, você SENTE a diferença, enxerga no monitor, nos gráficos, e se anima a continuar e melhorar. Não sou nenhum atleta, mas fui jogar Paintball esses dias e não senti a natural dor no outro dia pelo esforço, resultado do treinamento, e isso me empolga ainda mais.

Um fone bluetooth para controlar a música (não consigo correr sem música), um frequencímetro cardíaco bluetooth, o celular e uma armband e a corrida vira um prazer, 40 min de êxtase com minhas músicas favoritas dia sim, dia não (até que eu tenha preparo para todo dia). O aparelho monitora minha frequência cardíaca e me avisa se estiver muito alta ou muito baixa por um tom (não preciso nem olhar para a tela).

Mantendo um programa de exercícios de 3 vezes por semana, você pode se manter saudável. A maior parte da "queima" propriamente dita se dá entre o final do exercício e o dia seguinte, quando você emagrece simplesmente por estar vivo (isso é fato científico, efeito "Afterburner"). Se puder manter todo dia alguma atividade, esse efeito pode tornar-se permanente.

Recentemente notícias irromperam a mídia sobre como quadruplicou o número de obesos no país. É um sinal de doença, uma que atinge famílias inteiras, afinal, os filhos imitam os pais. Eu quase caí nessa vala. Fica a dica, se eu, um informata sedentário, consegui, qualquer um consegue.

20 de dez. de 2013

Respeito, tolerância - O unicórnio no sapato e o conhecimento científico

Alguns dias atrás eu e uma colega começamos a conversar sobre respeito e tolerância. Na verdade estávamos conversando sobre animosidades entre opiniões, crenças e estilos de vida, e como encarávamos estes perante a nossa opinião. Ela disse que RESPEITAVA. Eu disse que não, que ela TOLERAVA, o que é bem diferente.

Vamos definir respeito e tolerância, apenas para efeito de argumentação:

respeito
res.pei.to
sm (lat respectu) 1 Ação ou efeito de respeitar ou respeitar-se. 2 Aspecto ou lado por onde se encara uma questão; consideração, modo de ver, motivo, razão. 3 Apreço, atenção, consideração. 4 Acatamento, deferência. 5 Obediência, submissão. 6 Referência, relação. 7 Medo, temor. 8 Direito, justiça, razão. Antôn (acepção 3): desconsideração. sm pl Cumprimentos. A respeito de, com respeito a: quanto a; relativamente a. Dizer respeito a: ser relativo a, ter relação com. Sou, com todo o respeito: fórmula de cortesia, a qual serve de fecho a cartas e se põe antes da assinatura.

tolerância
to.le.rân.cia
sf (lat tolerantia) 1 Qualidade de tolerante. 2 Ato ou efeito de tolerar, de admitir, de aquiescer. 3 Direito que se reconhece aos outros de terem opiniões diferentes ou até diametralmente opostas às nossas. 4 Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas. 5 Disfarce ou dissimulação a respeito de uma coisa proibida. 6 Permissão concedida ao estudante militar para frequentar a cadeira ou disciplina em que foi reprovado. 7 Pequenas diferenças para mais ou para menos, legalmente permitidas no peso ou no título das moedas. 8 Sociol Atitude social de quem reconhece aos outros o direito de manifestar diferenças de conduta e de opinião, mesmo sem aprová-las. T. civil:permissão concedida pelo governo para uso de cultos que não são do Estado. T. eclesiástica: o mesmo que tolerância teológica. T. medicamentosa: aptidão para suportar doses exageradas de uma substância, ou suportá-la por muito tempo. T. política: atitude do governo ou partido político que admite a existência de outros partidos que não concordem com seus princípios. T. religiosa: atitude governamental em que se concede plena liberdade de culto. T. teológica: condescendência em consentir todas as opiniões que não são abertamente contrárias à doutrina da Igreja.
FONTE: Dicionário Michaelis Online - © 1998-2009 Editora Melhoramentos Ltda. © 2009 UOL
Antes de mais nada, vale a pena deixar claro que PESSOAS merecem RESPEITO. Não importa quem seja. Um padre, numerólogo, esotérico, homeopata, homossexual, heterossexual, ateu ou cientista, e todas as combinações. Pessoas merecem respeito por serem pessoas, seres humanos com os quais devemos conviver em sociedade, ter empatia por, e trabalhar para que todos possamos melhorar. Opiniões, estilos de vida e crenças não merecem respeito imediato. São construções sociais, ideológicas, teológicas ou mesmo definições pessoais. Estão sujeitas a escrutínio e crítica e devem ser atacadas. É a base da evolução social, se todos fôssemos conformistas imutáveis, nunca teríamos chegado tão longe como sociedade. O contrário disso é a ditadura, seja ela teocrática, política ou ideológica.

Mas todas estas características devem ser TOLERADAS enquanto não causem males a sociedade. A tolerância é uma necessidade. Tudo que prega a intolerância está fundamentalmente errado, pois retira o direito das outras pessoas a terem suas opiniões, e geralmente resulta em violência e preconceito.

Agora, como cada um define o que respeita? Eu sinceramente não posso dizer, pois é muito subjetivo, mas posso dar minha opinião sobre o que respeito. Eu respeito a ciência. Eu tenho consciência de um fato que define o motivo desse respeito. Se HOJE um fato qualquer, natural ou humano, dizimasse totalmente a população mundial, e a espécie de algum modo sobrevivesse retornando aos primórdios do conhecimento, ambas, ciência e religião, retornariam junto com a humanidade. Alguns milhares de anos depois, a ciência estaria nos mesmos passos, chegando as mesmas conclusões sobre o mundo natural e avançando exatamente da mesma forma, CONSISTENTE e maravilhosa, chegando ultimamente as mesmas conclusões, a verdade. A religião teria ressurgido, com outros mitos, outras crenças, totalmente diferentes, encravadas na história e baseadas nela, produto das interações humanas ao longo dos séculos. TOTALMENTE DIFERENTE.

Então, em quem confiar? Eu tenho a minha opinião, se a sua for contrária, eu respeito você, e tolero a sua opinião, desde que ela não interfira na minha vida.

Aí chegamos no ponto: quando as crenças, superstições, mitos e inverdades interferem na vida das pessoas. Algum tempo atrás eu li um texto que era mais ou menos assim:

Você tem o direito de acreditar que unicórnios existem, são imateriais, invisíveis, minúsculos e moram em sapatos. Eu tolero sua opinião, embora obviamente não respeite ela, por ser ridícula. Como existe essa tolerância entre nossas opiniões, podemos continuar amigos, e continuo respeitando sua pessoa. Meu problema com você começa quando você começar a pregar como as pessoas devem calçar seus sapatos, de maneira a não importunar os unicórnios. O problema escala e fica grave quando você decidir propor uma lei para reforçar isso.

Mas então como saber o que é verdade. Muita coisa ainda não possui explicação científica e embora os "bolsões de ignorância" que ainda dão razão ao Deus das Lacunas estejam cada dia menores, as pessoas ainda tem o direito de acreditar, e devemos tolerar isso. O problema é que a maioria das religiões possuem dogmas que dizem respeito a sociedade. Elas querem nos ensinar como conviver, o que comer, o que vestir e o que falar, elas são imutáveis nesse sentido e por causa delas, Uganda agora tornou ilegal ser gay, punível com prisão perpétua, sem falar que ainda queimam bruxas em alguns lugares.

Se o que você acredita não prega a tolerância, é desprezível. Se prega, mas é seletivo, é inconsistente. Se tenta atacar a ciência pois as conclusões científicas (baseadas em fatos e muito estudo) contradizem a doutrina, é perigosa. Se conselho fosse bom, não se dava, comprava, mas vale a pena deixar a dica: acredite no conhecimento científico.

25 de nov. de 2013

Causalidade e conhecimento

Vou tentar ilustrar o texto com um exemplo fácil de entender.

Alguns anos atrás estava preparando a nova unidade de armazenamento de dados que meu computador utilizaria. Ela era externa, e precisava ser ligada usando um cabeamento especial que me fez desmontar praticamente todo o computador para poder ligar. Depois de todo o trabalho concluído, unidade ligada, liguei o computador. Para minha surpresa, poucos segundos depois, ele desligou sozinho.

A mente humana é perita em fazer associações, eu automaticamente associei o fato do computador não ligar com a unidade externa, e desliguei ela. Tentei novamente iniciar o computador e fui bem sucedido. Provada a causalidade, cheguei a pensar em mandar uma mensagem ao fabricante, que hardware mais incompatível, que causa problemas no computador quando ligado.

Mas ser racional não é ser impulsivo, resolvi fazer mais testes. Desliguei o computador, liguei novamente (com a unidade desligada) e imagine só! Ele desligou sozinho! Então a unidade em nada contribuiu para o defeito. Perceba a rapidez do julgamento, da indignação e da resposta emocional diante de prova "incontestável" de que a unidade causara o problema. Liguei novamente, com a unidade ligada, e ele LIGOU! Quer dizer que OUTRA coisa causara o defeito. Revisando as ligações, achei o problema, era um cabo com mal contato, provavelmente reagindo ao calor causando problemas.

A moral é a máxima antiga: "CORRELAÇÃO NÃO É CAUSA"!

E então vemos as conclusões pseudo-científicas que rodam pela Internet, pelas redes sociais e pela cultura popular. Nós inclusive disseminamos estas informações, acho que a mais marcante em minha vida foi a da "friagem", como se ficar com frio transmitisse gripes ou resfriados. Até desenhos ilustram isso, o personagem pega um frio e aparece doente! Nós falamos isso para nossas crianças! E é ERRADO! Gripes e resfriados são causados por vírus! A baixa da imunidade que passar frio pode causar é de um papel ínfimo na questão de desenvolvermos ou não a doença! Outra coisa é a gripe e o resfriado. Gripes DERRUBAM a pessoa! Dor no corpo, cabeça, indisposição, é coisa para se deitar na cama e esperar passar, tomar remédios para prevenir os sintomas e ficar quietinho! Eu acho sinceramente que tive GRIPE pouquíssimas vezes. A coriza e os espirros que temos geralmente são RESFRIADOS, que passam em 48 horas...

Eu vejo isso o tempo todo, caio nestas falácias o tempo todo, até no trabalho. Semana passada mesmo trabalhei em duas máquinas quase 2 horas para descobrir que o defeito era na outra ponta. Correlação, e causa. O site me dizia que o problema era comigo... Não era.

Desconfiar, ser curioso e adquirir conhecimento previne cairmos nestas falácias. Nos permite explorar o mundo de forma mais consciente, desempenhar nosso trabalho de forma mais efetiva e até gerenciar nossas emoções de forma mais racional. Além disso, conversar sobre isso, espalhar o conhecimento provado e comprovado, de preferência via método científico, ajuda as próximas gerações!


E quantas falácias e torpes conceitos circulam em nosso meio? Coisas criadas pelo medo de 5 gerações passadas ainda assombram a sociedade atualmente. Não é nosso dever acabar com isso? Na posição de autoridade e dono da verdade passar conhecimento falacioso e não comprovado para uma criança é válido? Até que ponto a sua fé, sua carga emocional e suas "verdades" erradas vai influenciar a vida das outras pessoas, mesmo contrariando todo o desenvolvimento científico? Crer e saber não são a mesma coisa. Só por crer você ensinará isso como se fosse verdade? E quando ao que é, ou vai ser comprovado como sendo? Não tem problema não saber uma resposta, nossas vidas são eternas buscas por respostas, é o que impulsiona o ser humano. Não aceite a resposta fácil, incomensurável, improvável e dogmática. Busque o conhecimento.