Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

22 de jan. de 2016

Infraestrutura

As pessoas que me conhecem no trabalho imaginam minha casa como é minha sala do serviço. Uma "bagunça organizada" com fios, placas, conversores, adaptadores e MUITOS computadores, notebooks, impressoras, estabilizadores, réguas e equipamentos de rede em geral. Elas também pensam que devo gastar muito dinheiro com eletrônicos e gadgets.


No entanto, em casa eu tenho o setup mais simples possível. E constantemente penso em simplificá-lo mais ainda.

Eu tenho uma TV LG de 42 polegadas, 3D (pelo refresh rate), adquirida a 1 ano, que substituiu a minha velha Samsung 32 de guerra (que tem seus 6 anos de uso). Essa é a única tela independente que tenho em casa. Minhas TVs nunca são caras, pois o critério de escolha sempre é o mesmo: tipo de tela, resolução máxima e taxa de atualização. Não me importa se ela é smart, tem wifi, subwoofer ou outras firulas. Esses painéis acabam sendo muito mais baratos.

A tela equipa meu HTPC, único desktop que possuo, que vai completar 6 anos em abril. É um Core i5 661 (sim, um Clarkdale) com 8GB de RAM, 120GB em um SSD Kingston v300 em uma Intel DH55TC. A RAM original de 4GB foi dobrada 1 ano e 9 meses atrás, dois meses depois desse upgrade substituí o HD interno por um SSD. Nesse micro tenho ainda ligados mais 4 discos e um gravador de DVD, totalizando 2.8 TB de armazenamento com vários backups. Ele fica obviamente na sala, e merece atenção redobrada com acústica, desempenho térmico e limpeza.

Ligado ao HTPC eu tenho um conjunto Creative Soundblaster 5.1 amplificado ligado via canais analógicos direto. Um cabo HDMI joga o vídeo para a TV. O HTPC também está equipado com dongles BT, WiFi (recentemente desativado, voltei a usar ethernet), teclado (um Logitech Dinovo Edge), o LightPack (retroiluminador da TV) e um sintonizador de TV digital com antena.

Temos dois smartphones: o meu Moto X Play de 32GB recentemente adquirido (black friday 2015) e o velho e bom Moto G primeira geração da esposa. Tenho um tablet pouquíssimo usado (velho e bom Samsung GalaxyTab 2 7 polegadas).

Temos dois notebooks, o meu para uso na faculdade (um Core i3 da Qbex, com HD de 500GB e SSD de 32GB usando Intel Rapid Storage), e o velho Positivo Core i3 da esposa, que ano passado ganhou como upgrade um HD híbrido Seagate Momentus XT de 500GB com cache de 8GB. Como podem ver, eu não compro equipamentos caros, a não ser que eu veja um custo x benefício fenomenal neles (caso do Dinovo Edge) ou consiga comprar usado com ótimo preço (caso do conjunto SoundBlaster). Depois que a Intel entrou no mercado com seus SoCs completos, tudo melhorou, é difícil comprar gato por lebre e portanto as marcas de entrada se tornam boas opções. Problemas de hardware são raros, senão inexistentes, e o software eu conserto.

Tenho uma impressora multifuncional HP 2436 Wifi, por causa da faculdade, e porque scanner é uma maravilha, via rede então, show de bola. Outro equipamento eletrônico (pode ser visto como parte do inventário) são as câmeras. Uma Sony Cybershot antiga, e uma Canon SX-510 HS superzoom compacta. vários fones de ouvido (4, 1 deles BT, 3 com fio, 1 intra-auricular) e uma Aquarius Aqua (caixa de som BT a prova dágua). Vários pendrives e cartões de memória (esses sim são variados).

A Infraestrutura de rede é sustentada por um modem podrinho TP-Link (poderia ser qualquer outro, assim que chegam eu desabilito qualquer serviço neles, coloco-os em uma subrede separada e destivo todas as opções de roteamento e administração remota (DNS, DHCP, NTP, Firewall). O roteador é um WRT54G-TM, da Linksys. Ótimo aparelho, comprado em 2010 para substituir meu WRT54GL. Confiram as diferenças na Wikipedia. Novamente, esse aparelho mereceu desembolsar uma grana, mas vale cada centavo (equivaleria hoje a R$ 400,00).

Todos esses equipamentos (tirando o tablet, que está em desuso) são usados praticamente diariamente (talvez meu notebook esteja meio "esquecido", motivo: férias). Além disso trabalham em sincronia e conectados, e não me dão dor de cabeça (é só ver a idade de alguns deles).

Então esse é, resumidamente, todo o inventário dos eletrônicos lá em casa. Como podem ver, não é nada de outro mundo, aposto que muitas pessoas que não trabalham na área tem muito mais equipamentos.

10 de dez. de 2015

O poder da Internet

Eu costumava pensar na Internet como um amontoado de informações dispersas, dependendo de um humano acostumado a interagir com esse "palheiro" para achar a "agulha". Mas depois de ter testemunhado o poder da Internet, não penso mais assim.

As novas gerações aprenderam a indexar, a separar, filtrar informação. Aprenderam isso muito melhor do que produzir, atestar, criticar, modificar ou duvidar dela, infelizmente, mas já é um progresso. Quem sabe usar o Google hoje, com 10s passa de um ignorante para um especialista.

Eu estou cursando Sistemas para Internet, um curso superior voltado a web, mas que engloba vários conceitos universais da computação, incluindo arquitetura de computadores e linguagens de programação. É nesse tipo de matéria que se percebe a natureza real do curso e a dificuldade inerente ao ser humano, de cérebro plástico e adaptável, a pensar de forma algorítmica. São essas as matérias "difíceis". Eu, com meus anos de programação, embora nunca tenha me formado ou tido sucesso acadêmico na área, vou muito bem, por já ter me acostumado com o ritmo e lógica da programação. É um "clique" mental, quando você passa a pensar como um programador, e isso vem apenas de treino e esforço.

Mas voltando ao assunto, um dos professores, da matéria Algoritmos, passou como trabalho um programa de cálculo de intervalo de tempo entre duas datas. O problema: não poderiam ser usadas funções de data, objetos que manipulam datas, nada. Teria de ser na mão mesmo.

Eu trabalho de forma estranha, tenho a inspiração muito vaga, então aproveito quando esta aparece. Tenho portanto, baseado quase toda a minha produção na web, para ter acesso a esta quando quiser, desde que exista rede (convenhamos, se estiver sem rede, não vou estar no computador). Então utilizei uma IDE online Java para fazer o programa e manter o código na "nuvem". Quando colegas pediram auxílio, passei desinteressadamente a URL do código, que ia sendo modificado por mim.

Qual não foi minha surpresa, ao dar uma olhada no código de outros colegas, e ver os meus nomes de variáveis, meus comentários, até a lógica, a forma de pensar e colocar isso em forma de algoritmo. Foi muito divertido. Acontece que um dos colegas colocou o meu código em um fórum. E "daí para o mundo" em pesquisa do Google outros colegas localizaram este código. Eu mesmo em uma simples pesquisa: primeiro link.

Eu não tinha atualizado a versão beta do código, e ele tinha alguns bugs. Agora, infelizmente para o professor, o "desafio" dele está com a solução, completa e pronta (e bem fácil de entender) postada na Internet, para o mundo (inclusive postei ele como público agora). O problema despareceu, e terá que ser substituído por outro.

Eu particularmente gostei do desafio. Me senti vitorioso por tê-lo superado após anos sem prática em programação. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o "universo" da Internet interagindo de forma tão próxima com a realidade fechada de uma sala com 20 alunos. É realmente incrível, e demonstra uma nova época!

23 de nov. de 2015

Fragilidade e conflito

De uns tempos para cá algumas experiências me mostraram como somos frágeis. Não apenas nossos corpos, mas nosso psicológico também.

Um acompanhamento e introspectiva profundos entre os 23 e 24 anos me tornaram uma pessoa melhor, foi onde aprendi a lidar com as expectativas e ansiedade. Não é a toa ter passado no concurso com essa idade. Poderia ter sido mais cedo, ou mais tarde, se não houvesse desenvolvido essa habilidade essencial. Essa fase também me permitiu uma liberdade que nunca havia experimentado, e sedimentou meus conhecimentos. Posso sinceramente dizer que ali me tornei adulto.

E aprendi a não esperar nada. A não sentir ansiedade pela expectativa não suprida. Melhor dizendo, aprendi a canalizar minha expectativa através da objetividade. Eu não espero nada das pessoas, eu espero das coisas. O que foi desenhado para funcionar de uma certa maneira deve funcionar. Se não funcionar, há uma explicação, e achar essa explicação é libertador, pois achando a causa, é possível tentar achar uma solução. Eu gosto de solucionar esse tipo de problema. Por isso me afastei das ciências humanas e sociais, tão subjetivas e imprevisíveis. Limito meu conhecimento, aceito o método científico, e as conclusões a que chegam os que o utilizam, mesmo não entendendo completamente o problema solucionado. Como diria Richard Dawkins: ciência funciona!

Mas não importa o quão blindado, preparado e insensível, o ser humano é sempre frágil. A fim de nos entregar de forma mais ampla, expandimos o limite do aceitável, e aí nos tornamos ainda mais predispostos a decepção. Anos de prática caem por terra em segundos, quando a expectativa do apoio encontra a derrocada do desdém. Quando a projeção da glória encontra a indiferença. Quando não há o reconhecimento pelo que se faz, fez, ou fará. O esforço sem reconhecimento é inútil. Humanos se esforçam para serem reconhecidos. O trabalho sem elogios é fadado a miserabilidade. O poder do elogio é tanto que estruturas organizacionais já treinam seus funcionários a utilizá-lo. E não estou falando do elogio falso, mas do elogio sincero, o reconhecimento das habilidades, em público e alto e bom tom. Funciona.

No mundo dos investidores, existe um paradigma muito interessante. Quando o investidor chega a um certo patamar, ele se recompensa. É a recompensa por um trabalho bem feito, que exigiu conhecimento e esforço, e poderia ter dado errado múltiplas vezes não fosse a competência de quem o executou. É um auto reconhecimento que funciona tão bem quanto elogios, já que o day trader e o investidor geralmente não tem uma organização inteira para devotar seus esforços, nem uma hierarquia para prover estabilidade. Mesmo dentro da família, o trader geralmente se encontra isolado. Mas o reconhecimento é preciso, então ele usa parte do lucro para criar uma recompensa para si mesmo.

Mas e quando você utiliza essa prerrogativa auto aplicada e o que sobrevêm é exatamente o contrário das suas expectativas? Totalmente. Vem a decepção, e ela se alastra quando seu interlocutor não nota o que aconteceu. É uma via de mão dupla, e expectativa não alcançada gera o desespero, ansiedade e raiva que seriam contrabalançados exatamente pelo que você esperava. E é um mecanismo que alimenta-se da situação e faz com que o conflito escale ainda mais. O que resta é a decepção.

No meu caso é um pouco pior. Talvez por não esperar esse conflito sou completamente despreparado para ele. Me tira o sono, cai a produção, me atinge como um raio em um ponto vital. A vida fica mais difícil. Agora, em um período complicado, isso é exacerbado e machuca ainda mais. Tento fielmente não expor as pessoas aos meus problemas. Mesmo quem os compartilha comigo encontra um esforço muito grande para ser amparado sem esperar nada em troca. As vezes o copo transborda, mas ainda assim tento ser estável, para não piorar o problema. Como o A-ha canta: I wait for stormy weather, to hide this tears I hope you'll never see.


Esse tipo de conflito, evitável, me irrita profundamente. Suas ramificações me atingem mais do que fariam com a maioria das pessoas, e acabo focando esse sentimento em quem o causou. Mas a maturidade me faz refletir e tentar PARAR o conflito, apenas para dar de encontro ao descaso. Um dia desses, com o acúmulo, talvez eu não seja capaz de aceitar e continuar. Por enquanto, me apoio em mim mesmo numa tentativa de não perder minha capacidade de aceitar e lidar com estas situações, para não mudar o que eu imagino ser o pináculo da minha evolução. Mas até quando, é incerto.