Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

15 de mar. de 2010

Ilusões

Cheguei a conclusão que muitas das nossas atitudes são iniciadas por ilusões. A nossa mente prega peças e nos faz agir de forma tão ilógica que basta um minuto de meditação para ver o quão estúpido fomos.

Tem um amigo meu que anda sempre com o carro na reserva do tanque. Quando a luzinha amarela alertando para a iminente falta de combustível já está ali um bom tempo, ele vai no posto e coloca 20 reais. E continua andando, nesse ciclo. É uma ilusão. Se você completar o tanque, vai gastar 120 reais, mas vai andar 6 vezes mais do que andaria com 20. É um fato lógico irrefutável. Além disso, vai evitar o acúmulo de sujeira nos bicos pela baixa concentração de gasolina (e alta de sujeira) no fundo do tanque e potencialmente evitar ficar na estrada sem combustível.

Enquanto isso, tem gente que gosta de promoções. Se tem uma coisa que eu aprendi na vida, foi que "onde tem alguém ganhando, tem alguém perdendo". A lei universal do comércio diz que um comerciante nunca leva tufo. Nunca sai no prejuízo. Se ele fez uma promoção com 50% de desconto, ele antes disso foi elevando os preços até 60%, de maneira que o lucro básico ele ainda está ganhando (e mais 10%). É uma ilusão achar que uma loja está fazendo promoções e não está ganhando lucro. Isso é um atrativo ao consumidor, mas é uma ilusão, pois na verdade estamos pagando o mesmo preço que pagaríamos quando a mercadoria estivesse no preço normal. Eles descontaram apenas os acréscimos que eles mesmos colocaram.

Ainda outra situação. A gana. A vontade de se comprar uma coisa, vemos um produto, e nossa emoção é tão forte que nos faz comprar. É uma compulsão, um ato impulsivo. Nosso cérebro nos engana fazendo achar que não vamos ter outra oportunidade, que vamos criar inveja, que vamos ser melhores. No entanto, duas semanas depois, o preço diminuiu 30%, e estamos ferrados. Ainda temos que aguentar um amigo dizendo que pagou um valor BEM inferior no mesmo produto. É uma ilusão. Aguardar com paciência recompensa na maioria dos casos, basta controlar estes impulsos. Vide meu post sobre o EEE que comprei sem ler direito o anúncio.

É triste, viver com estas ilusões, cair em algumas nelas, depois analisar e ver que a gente se ralou. Ontem mesmo escapei de me ralar na compra de um computador novo. Parecia uma oferta imbatível. Não fosse não ser. E só vi isso pois segurei a vontade por um dia, e resolvi pesquisar um pouco.

A paciência se paga. Compensa.

27 de fev. de 2010

Trânsito

Fazia tempo que eu não partia em uma viagem realmente longa. Com longa quero dizer quase metade das horas do dia na estrada, para enfrentar mais de mil quilômetros até o destino. Agora, nas férias, fui para Santa Catarina acompanhado da namorada. As praias são lindas, e o atendimento ao turista é muito bom, mas o destino não é o assunto desse post. Esse post é sobre a jornada.

Eu fiquei sinceramente assustado com a quantidade de pessoas totalmente sem noção de segurança no trânsito. Perdi as contas dos "quase" acidentes que presenciei e confesso que estou alarmado com a baixa quantidade de acidentes em nossas estradas, se comparada com o número de proezas, peripécias e manobras de risco executadas por muitos motoristas.

Vale lembrar que não importa a nacionalidade, pois uma considerável porcentagem de carros era estrangeira (notadamente, Argentinos).

Ultrapassagens sem segurança, luzes desligadas ou falhas, a total falta de respeito a distância mínima do outro veículo, a tentativa incessante de "passar na frente" dos outros motoristas, mesmo que isso coloque em risco as outras pessoas, transitando na faixa contrária. Isso só para citar alguns exemplos.

Fiquei alarmado que estes motoristas tenham uma carteira de habilitação. Não aprenderam na auto escola sobre segurança? Esqueceram tudo?

O problema é que esses idiotas acabam colocando em risco, não só as próprias vidas, mas as vidas de motoristas conscientes e suas famílias, que muitas vezes estão tranquilamente curtindo uma viagem, ou apenas se deslocando para o trabalho ou casa. Essas pessoas deveriam perder o direito de dirigir. Caminhões ultrapassando carros de passeio (velocidade controlada uma ova) ou outros caminhões, motos passando raspando (e voando) no meio da pista, entre dois carros, gente ultrapassando em pedágios, refúgios e até na FILA causada por um reparo na estrada ou acidente.

Nessa viagem, vi vários carros e carretas desmantelados, frutos de acidentes, e mesmo com essa visão horrenda do que pode acontecer, as pessoas não se intimidam.

É triste. Cada vez que saímos com nossos veículos, esses malucos colocam em risco nossas vidas, impunemente na maioria absoluta das vezes...

17 de jan. de 2010

O bug do Windows 98

Em 1997 eu ganhei meu primeiro computador. Era um top de linha da época, um K6-II 233MHz com 48MB de RAM, disco rígido de 4GB (um enorme Quantumm Bigfoot, muito barulhento), tinha até duas portas USB, que eram raríssimas naquele tempo.

Apesar de já ter lidado em DOS e Win 3.11 em cursos no colégio, e ter uma boa noção de como eles funcionavam, foi quando ganhei esse computador que a curiosidade realmente foi satisfeita. Devo ter quebrado o software dele ao menos umas 10 vezes nas primeiras semanas, e aprendi a consertar ele logo em seguida.

Nesse mesmo tempo, eu ganhei um jogo do meu irmão (será que ele lembra?) chamado Privateer 2: The Darkening. Aí vai adivinhação do inglês, dicionário, e um RPG muito grande cheio de missões, onde controlar a nave envolvia desde o Joystick até 80% das teclas existentes no teclado, entre controle de velocidade, estabilidade, alvos e equipamentos. O p2td rodava em DOS, era necessário criar um disco de boot DOS que desse suporte a todos os drivers necessários (CD-ROM, som, etc). Não demorou muito para que eu desvendasse os segredos do autoexec.bat, do config.sys e da linguagem batch de DOS.

Foi aí que eu descobri, por acidente, um dos maiores e talvez nunca corrigidos bugs do Windows 98. Procurei na Internet, mas não encontrei nenhum relato, então pode ser que ninguém tenha descoberto mesmo, ou não procurei direito. Enfim, resolvi divulgar ele aqui.

A sequência de inicialização do win 98 envolve o DOS, na verdade o win é apenas um programa que roda emcima do DOS e "assume" o controle. No entanto, quando se boota, o que dispara é o DOS mesmo. O DOS então chama o Windows através de um comando: WIN. Esse comando dispara o WIN.COM presente na pasta WINDOWS e roda o sistema. No entanto, por uma falha de design, o DOS chama WIN mesmo, e não WIN.COM. No DOS, se você chama um programa apenas pelo nome, sem a extensão, ele vai disparar o comando de acordo com uma precedência de extensões. Nessa precedência, o .COM não é o primeiro. Primeiro vem o .BAT!!!

Em suma, se um usuário criasse um arquivo chamado WIN.BAT no diretório WINDOWS, o sistema Windows nunca seria disparado, e sim aquele bat que pode conter o que você quiser. E se dentro desse .bat você criasse um loop infinito, nunca voltaria ao prompt do DOS.

Ainda não descobri a causa exata, mas a segunda parte do bug parece advir do fato do DOS passar a renegar os comandos, assumindo que o WINDOWS vai tomar precedência e agir sobre os comandos do teclado. Com exceção da PRIMEIRA keystroke (tecla ou combinação de teclas), destinada a passar um parâmetro para o Windows (bootar no Modo de Segurança, por exemplo), o DOS passa a NÃO RESPONDER COMANDOS DEPOIS DESSA PRIMEIRA KEYSTROKE, A NÃO SER QUANDO A EXECUÇÃO DO WIN CHAMADO FOR FINALIZADA!

Se um WIN.BAT for criado, portanto, a única maneira de SAIR da execução dele seria que o PRIMEIRO keystroke seja um comando de PARAR para o .BAT que está rodando com um loop infinito (CTRL + C). De outra forma, mesmo teclar espaço, ESC ou qualquer outra tecla, seria um reboot forçado, pois o BAT rodaria infinitamente, sem chance de ser parado. Portanto, em um Windows 98, um arquivo Win.BAT no diretório WINDOWS com o seguinte conteúdo:

@echo off
:loop
REM Insira aqui echos ou qualquer outro comando, ou mesmo deixe assim para nao aparecer nada.
goto loop

Impediria um Win 98 de inicializar corretamente até que o arquivo fosse deletado. E se qualquer tecla diferente de CTRL + C fosse pressionada, acarretaria em um reboot forçado pelo usuário, afim de sair do loop infinito que impede o boot normal.