Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

10 de dez. de 2015

O poder da Internet

Eu costumava pensar na Internet como um amontoado de informações dispersas, dependendo de um humano acostumado a interagir com esse "palheiro" para achar a "agulha". Mas depois de ter testemunhado o poder da Internet, não penso mais assim.

As novas gerações aprenderam a indexar, a separar, filtrar informação. Aprenderam isso muito melhor do que produzir, atestar, criticar, modificar ou duvidar dela, infelizmente, mas já é um progresso. Quem sabe usar o Google hoje, com 10s passa de um ignorante para um especialista.

Eu estou cursando Sistemas para Internet, um curso superior voltado a web, mas que engloba vários conceitos universais da computação, incluindo arquitetura de computadores e linguagens de programação. É nesse tipo de matéria que se percebe a natureza real do curso e a dificuldade inerente ao ser humano, de cérebro plástico e adaptável, a pensar de forma algorítmica. São essas as matérias "difíceis". Eu, com meus anos de programação, embora nunca tenha me formado ou tido sucesso acadêmico na área, vou muito bem, por já ter me acostumado com o ritmo e lógica da programação. É um "clique" mental, quando você passa a pensar como um programador, e isso vem apenas de treino e esforço.

Mas voltando ao assunto, um dos professores, da matéria Algoritmos, passou como trabalho um programa de cálculo de intervalo de tempo entre duas datas. O problema: não poderiam ser usadas funções de data, objetos que manipulam datas, nada. Teria de ser na mão mesmo.

Eu trabalho de forma estranha, tenho a inspiração muito vaga, então aproveito quando esta aparece. Tenho portanto, baseado quase toda a minha produção na web, para ter acesso a esta quando quiser, desde que exista rede (convenhamos, se estiver sem rede, não vou estar no computador). Então utilizei uma IDE online Java para fazer o programa e manter o código na "nuvem". Quando colegas pediram auxílio, passei desinteressadamente a URL do código, que ia sendo modificado por mim.

Qual não foi minha surpresa, ao dar uma olhada no código de outros colegas, e ver os meus nomes de variáveis, meus comentários, até a lógica, a forma de pensar e colocar isso em forma de algoritmo. Foi muito divertido. Acontece que um dos colegas colocou o meu código em um fórum. E "daí para o mundo" em pesquisa do Google outros colegas localizaram este código. Eu mesmo em uma simples pesquisa: primeiro link.

Eu não tinha atualizado a versão beta do código, e ele tinha alguns bugs. Agora, infelizmente para o professor, o "desafio" dele está com a solução, completa e pronta (e bem fácil de entender) postada na Internet, para o mundo (inclusive postei ele como público agora). O problema despareceu, e terá que ser substituído por outro.

Eu particularmente gostei do desafio. Me senti vitorioso por tê-lo superado após anos sem prática em programação. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o "universo" da Internet interagindo de forma tão próxima com a realidade fechada de uma sala com 20 alunos. É realmente incrível, e demonstra uma nova época!

23 de nov. de 2015

Fragilidade e conflito

De uns tempos para cá algumas experiências me mostraram como somos frágeis. Não apenas nossos corpos, mas nosso psicológico também.

Um acompanhamento e introspectiva profundos entre os 23 e 24 anos me tornaram uma pessoa melhor, foi onde aprendi a lidar com as expectativas e ansiedade. Não é a toa ter passado no concurso com essa idade. Poderia ter sido mais cedo, ou mais tarde, se não houvesse desenvolvido essa habilidade essencial. Essa fase também me permitiu uma liberdade que nunca havia experimentado, e sedimentou meus conhecimentos. Posso sinceramente dizer que ali me tornei adulto.

E aprendi a não esperar nada. A não sentir ansiedade pela expectativa não suprida. Melhor dizendo, aprendi a canalizar minha expectativa através da objetividade. Eu não espero nada das pessoas, eu espero das coisas. O que foi desenhado para funcionar de uma certa maneira deve funcionar. Se não funcionar, há uma explicação, e achar essa explicação é libertador, pois achando a causa, é possível tentar achar uma solução. Eu gosto de solucionar esse tipo de problema. Por isso me afastei das ciências humanas e sociais, tão subjetivas e imprevisíveis. Limito meu conhecimento, aceito o método científico, e as conclusões a que chegam os que o utilizam, mesmo não entendendo completamente o problema solucionado. Como diria Richard Dawkins: ciência funciona!

Mas não importa o quão blindado, preparado e insensível, o ser humano é sempre frágil. A fim de nos entregar de forma mais ampla, expandimos o limite do aceitável, e aí nos tornamos ainda mais predispostos a decepção. Anos de prática caem por terra em segundos, quando a expectativa do apoio encontra a derrocada do desdém. Quando a projeção da glória encontra a indiferença. Quando não há o reconhecimento pelo que se faz, fez, ou fará. O esforço sem reconhecimento é inútil. Humanos se esforçam para serem reconhecidos. O trabalho sem elogios é fadado a miserabilidade. O poder do elogio é tanto que estruturas organizacionais já treinam seus funcionários a utilizá-lo. E não estou falando do elogio falso, mas do elogio sincero, o reconhecimento das habilidades, em público e alto e bom tom. Funciona.

No mundo dos investidores, existe um paradigma muito interessante. Quando o investidor chega a um certo patamar, ele se recompensa. É a recompensa por um trabalho bem feito, que exigiu conhecimento e esforço, e poderia ter dado errado múltiplas vezes não fosse a competência de quem o executou. É um auto reconhecimento que funciona tão bem quanto elogios, já que o day trader e o investidor geralmente não tem uma organização inteira para devotar seus esforços, nem uma hierarquia para prover estabilidade. Mesmo dentro da família, o trader geralmente se encontra isolado. Mas o reconhecimento é preciso, então ele usa parte do lucro para criar uma recompensa para si mesmo.

Mas e quando você utiliza essa prerrogativa auto aplicada e o que sobrevêm é exatamente o contrário das suas expectativas? Totalmente. Vem a decepção, e ela se alastra quando seu interlocutor não nota o que aconteceu. É uma via de mão dupla, e expectativa não alcançada gera o desespero, ansiedade e raiva que seriam contrabalançados exatamente pelo que você esperava. E é um mecanismo que alimenta-se da situação e faz com que o conflito escale ainda mais. O que resta é a decepção.

No meu caso é um pouco pior. Talvez por não esperar esse conflito sou completamente despreparado para ele. Me tira o sono, cai a produção, me atinge como um raio em um ponto vital. A vida fica mais difícil. Agora, em um período complicado, isso é exacerbado e machuca ainda mais. Tento fielmente não expor as pessoas aos meus problemas. Mesmo quem os compartilha comigo encontra um esforço muito grande para ser amparado sem esperar nada em troca. As vezes o copo transborda, mas ainda assim tento ser estável, para não piorar o problema. Como o A-ha canta: I wait for stormy weather, to hide this tears I hope you'll never see.


Esse tipo de conflito, evitável, me irrita profundamente. Suas ramificações me atingem mais do que fariam com a maioria das pessoas, e acabo focando esse sentimento em quem o causou. Mas a maturidade me faz refletir e tentar PARAR o conflito, apenas para dar de encontro ao descaso. Um dia desses, com o acúmulo, talvez eu não seja capaz de aceitar e continuar. Por enquanto, me apoio em mim mesmo numa tentativa de não perder minha capacidade de aceitar e lidar com estas situações, para não mudar o que eu imagino ser o pináculo da minha evolução. Mas até quando, é incerto.

13 de out. de 2015

Ateu, cético, racional, humanista, secular - filosófico!

O que é ser ateu? É não acreditar em divindades.


Ao não acreditar em divindades, algumas conclusões se seguem, e se forma uma linha de pensamento bem interessante. Na maioria das vezes essa conclusão é baseada em evidência. Quando se começa a usar evidência como medida de veracidade, acaba-se excluindo muita coisa: espiritualidade, metafísica, sobrenaturalidade.

A única evidência que de fato se submete a testes e pode ser resultado de análise concreta é a evidência científica. O ceticismo se segue, o cético admite a dúvida, questiona tudo e requer evidência. Como a evidência científica é produto de um processo de pensamento racional, o racionalismo se segue.

Quando se usa a razão para avaliar o mundo, muita coisa muda na forma de pensamento. Quando se cai para esse lado, você questiona a humanidade, e questiona o que leva aos conflitos. Percebe que é muito difícil partir do ateísmo, ceticismo e racionalidade para a violência, pois ela é irracional, não existem evidências de que valha a pena, e só a fé cega em uma divindade, castigo ou recompensa divina pós-vida leva as pessoas a fazer atos de extrema violência, muitas vezes em detrimento próprio.

Assim, se cria um respeito muito grande pelo ser humano, seu potencial e importância, e vem o humanismo. Humanismo é "a filosofia moral que coloca os humanos como principais, numa escala de importância. É uma perspectiva comum a uma grande variedade de posturas éticas que atribuem a maior importância à dignidade, aspirações e capacidades humanas, particularmente a racionalidade. Embora a palavra possa ter diversos sentidos, o significado filosófico essencial destaca-se por contraposição ao apelo ao sobrenatural ou a uma autoridade superior" (Wikipedia, Humanismo). A moralidade é retirada de algumas aspectos destas filosofias (e não de livros) como a regra de ouro: aja como gostaria que os outros agissem.

Ao se colocar a importância do ser humano, o respeito pelo humano é engrandecido, novamente, com todas as repercussões. Respeito as escolhas, desde que não te afetem. Respeito as idéias, desde que não sejam impostas. A nossa sociedade protege muitos destes direitos, e chegando aos direitos, chegamos ao Estado, e automaticamente ao secularismo. Ser secular é esperar a separação entre Estado e Igreja. É esperar imparcialidade nas decisões políticas quanto a religiosidade. É não impor dogmas de forma estatal.

Então eu sou ateu, cético, racional, humanista, secular. Talvez tantas outras definições (ainda não estudadas, ou desconhecidas por mim).

Agora, algumas posições assumidas não definem exigências. Sendo assim, algumas informações:

1) Sendo ateu, eu ainda posso dizer "Meu deus!",  "deus me livre", "minha nossa senhora".

Eu fui religioso, fui teísta, fui deísta e levei muitos anos, muita reflexão e muito questionamento para chegar onde estou. Muitas destas expressões estão na minha mente, não associadas a crença, mas a emoção. Eu não voltei a acreditar por dizer uma destas frases.

2) Eu tento ser honesto, moral, mas não sou perfeito.

Ninguém é. Ponto final.

3) Eu não tenho todas as respostas, eu admito a dúvida. Mas tenho certezas, e elas podem soar insenssíveis, ou incorretas.

As posições que eu assumo são contundentes, muitas vezes. Acho que a crença cega é perigosa e deve ser extirpada e qualquer crença que pregue ou não condene explicitamente, sem dúvidas, a violência, deve ser abolida.

4) A dúvida leva ao questionamento, e o questionador é chato.

Quando se exige evidência, torna-se chato. Preciso de provas, e a contundência das provas é diretamnte proporcional ao que se afirma, quem afirma e como essa afirmação se sustenta. Se você me disser algo muito incrível, eu não vou crer. Se você não me apresentar evidência, eu vou ir atrás dela, e se não encontrar evidências confiáveis que suportem essa afirmação, eu VOU rejeitar (a afirmação, não o afirmador).

5) Tudo isso não me impede de ser eclético, tolerante, agradável, educado e respeitoso.

No mais, até a próxima.