Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

14 de jul. de 2006

X-Men - O Confronto Final

Uma palavra. Decepção.

OBS: Se você não olhou o filme, não leia, eu conto o final, sim!

Eu simplesmente não resisti, voltei agora do cinema e fui compelido por uma força superior a escrever sobre o filme. Vou aproveitar a memória recente e comentar esse, que seria um filme ótimo, se nada existisse sobre os X-Men em nenhuma outra mídia, HQs, desenho animado, nada.

Um show de efeitos especiais. O filme é muito BEM FEITO, tem cenas alucinantes, uma ação contínua, filmografia perfeita e elenco incrível, a equipe está de parabéns. Esta crítica, vai mais para a Marvel, do que para o filme. Eles acabaram com a memória dos X-Men, a história, a mitologia, os personagens, eventos, tudo foi destruído para criar algo mais fácil, mais compreensível, mais mastigado. Esmagaram e pisaram em cima de toda criação em cima dos X-Men, e nisso incluo todos os filmes, 1, 2 e a desgraça final, digo, Confronto Final.

Vamos começar pelos defeitos.

X-Men de verdade: A Fênix, entidade mitológica que não possuia a capacidade de "sentir". Apoderou-se do corpo de Jean Grey, e ficou "chapada" com as deliciosas sensações humanas. A ponto de esquecer o destino de proteger um cristal poderosíssimo que nas mãos erradas ameaçava o universo. No final, absorveu a energia vital de meia dúzia de X-men para restaurar a vida ao corpo de Jean, pois aprendeu o significado de "sacrifício por amor" quando Scott (Ciclope) ofereceu sua vida no lugar da amada. A Fênix então retoma o cristal e voa para o interior do Sol, seu exílio eterno.

X-Men - Filmes: A coitada da Jean é ezquisofrênica, tem dupla personalidade, e sua alter-ego é a Fênix (por favor, pare!), ela é uma mutante de último nível com poder sem limites (não, por favor), ela mata Scott (Ciclope) e o Professor X (não, é demais, pare a tortura). No final, Wolverine (quê?) mata ela por amor e piedade.

X-Men de verdade: Sentinelas, máquinas construídas para matar mutantes, evoluídas, específicas, poderosas, eram produzidas aos milhares e tinham todas as ferramentas possíveis a tecnologia para dominar os mutantes. O Molde Mestre, criado pelo filho do Dente de Sabre que odeia mutantes, para proteger a humanidade dos mutantes. Qual não é sua surpresa quando o Molde Mestre ataca humanos, com a frase "Ilógico, mutantes são humanos, devo proteger humanos deles mesmos".

X-Men - Filmes: Sentinelas?! Quando vi o trailer, aparecia a cabeça de uma voando. Pensei "minha nossa, vai ser legal". Detalhe... É a única cena do filme em que ela aparece, e é apenas uma simulação na "Danger Room", um treinamento. Ah, e o Wolverine acaba com ela com um golpe (a cena não aparece, nem a sentinela inteira, só os sons e a cabeça cai).

X-Men de verdade: NightCrawler, o monge guerreiro. Com eternos conflitos entre sua fé e a guerra. Ágil, esperto, sério, peludo, hehehe. Usa uma espada e domina em lutas vários X-Men. Namora uma gata de um dos times em que luta (sim, ele não foi SÓ um X-Men, e nem foram os X-Men o único time de mutantes já formado).

X-Men - Filmes: Um palhaço com pele azul sintético brilhante, cheio de cicatrizes, patético, dominado e inútil, medroso. Só aparece lutando em UMA cena, e está sendo controlado. Nem APARECE no terceiro filme, some, sem vestígios, sem sinal, sem explicação. Essa foi pessoal! Eu ODEIO QUANDO ESTRAGAM UM PERSONAGEM!!!!

X-Men de verdade: Mística. Mãe de NightCrawler e da Vampira (Rogue), vaga sem rumo, sem lados, sempre buscando vantagens, orgulhosa e fatal, nunca sorri. Tenta manipular Vampira para usar seus poderes em proveito próprio. Forçou Vampira a absorver toda a energia vital da Miss Marvel, o que rende a Rogue o poder de voar e super-força, além de um fantasma em sua memória para sempre.

X-Men - Filme: Braço direito do Magneto (ah, sabiam que o ator que faz o Magneto é o embaixador da causa gay da Inglaterra?), pouca atuação no primeiro filme, pouca no segundo, sempre em segundo plano, no terceiro, é atingida por um dardo que contém a "cura" e vira humana (se isso acontece nos HQs, ela sem dúvida se mataria).

X-Men de verdade: Jugernaut. Irmão do Professor X, mutante com o gene latente, teve o fator X despertado e a assinatura mutante alterada por um artefato místico, tornou-se invulnerável. Odeia Xavier e usa o capacete para se proteger de seus ataques psíquicos. Só há uma maneira de parar ele: golpes psíquicos ou fazê-lo dormir.

X-Men - Filmes: Um cara grande, com um capacete de metal idiota. Só sabe atravessar paredes e no final dá de cabeça em uma sem os poderes, caindo duro no chão (lamentável).

X-Men de verdade: Vampira (Rogue). O melhor desenho de mulher já feito, perfeita. Super-força, habilidade de voar. Pode ainda absorver qualquer poder mutante com um toque. Cheia de conflitos pelas mentes que convivem dentro dela por ter absorvido a energia vital de tanta gente. Muito difícil de derrotar.

X-Men - Filmes: Uma CRIA apaixonada pelo Wolverine, trouxa, não aguenta o tranco, quase perde o namorado prá Lince Negra e aceita a "cura", se tornando humana, prá poder ficar com o namorado idiota.

Eu não vou continuar, aqui dá pra ter uma idéia de quantos personagens foram tornados caricaturas patéticas. Parabéns Marvel, vocês, a exemplo do Metallica, venderam sua arte e a destruíram. Qual a próxima novidade? O Wolverine casar? O Ciclope perder os poderes (ah, esqueci, vocês MATARAM O CICLOPE, minha nossa, mataram O PROFESSOR XAVIER!!!).

Acabaram com mais algumas memórias boas da minha juventude. O que vem por aí? Um filme do Dragon Ball onde o Vegetta é bonzinho e o Goku nunca morre?!

Boa noite.

8 de jul. de 2006

Obrigado!

Hoje, às vesperas de completar 25 anos, deitado na cama pensando na vida, comecei a refletir sobre algumas coisas. Comecei a recapitular esse quarto de século que vivi, e comecei a notar que existem coisas que a gente só dá valor muito tarde. Agora, quero expressar algumas reflexões sobre essas coisas.

Família. Minha família é um exemplo, para mim e para todo mundo. Tenho em minha família meus melhores amigos, meus conselheiros, gente que está sempre lá para me ajudar, não importa o tamanho da encrenca, e acredite, eu me meto em muita encrenca. A começar pelos meus pais, essas pessoas maravilhosas que guiaram minha vida e até hoje me ajudam em tantos sentidos. Minha mãe é a pessoa que melhor me conhece, sabe do que gosto, do que não gosto, meus defeitos e as poucas qualidades, uma pessoa íntegra e alegre, firme e respeitável. Meu pai é uma constante, um homem de fibra, um exemplo de moral, de uma pessoa que lutou pela sua família, pelos seus valores e nos levou até onde estamos, nos dando a oportunidade de ser um pouco do que ele foi, pois não tem como ser tanto assim. Meu irmão é um herói, eu tento a cada dia seguir os passos dele, mas tropeço nos erros que ele não cometeu (por imaturidade minha) e ele ainda por cima me ajuda a levantar, quando eu chegar a ser o que ele é vou me considerar um homem realizado. Minha irmã segurou a barra quando mais precisei, nunca me deu as costas, tomando atitudes drásticas para me proteger e guiar, sem ela teria com certeza despencado em várias ocasiões. Meus tios, primos, minha querida Vovó.

Amigos. Foram tantas amizades. Desde os mais antigos, a primeira faculdade (imcompleta), passando pela segunda faculdade, a JF. São pessoas com quem sempre mantive contato e que espero sempre poder contar. Não digo nomes pois provavelmente esqueceria alguém, vocês sabem quem são.

São coisas que a gente tem que valorizar, as viagens, as aventuras, desventuras, experiências, bobagens, fotos. Temos que levar isto para a vida. As memórias e sequelas são tudo que resta do passado, da mão firme do tempo que nos moldou no que somos hoje.

Foram tantos amores. Eu sempre amei demais, extremista demais. Hoje estou bem mais calmo, a Dani é uma pessoa especial, tem uma maturidade que nem eu tenho, sendo uma pessoa responsável, linda, por dentro e por fora. Amar faz bem, até ter o coração quebrado faz bem, nos ensina a tolerar, a esquecer. O tempo tudo cura, e devemos viver o presente. Eu sempre digo, sorria como se nunca tivesse chorado, ame como se nunca tivesse se machucado, viva como se hoje fosse o último dia.

Para a minha família biológica, para o Hyperconect, para a inf99, para o IESA, para a JF, para todas as pessoas que fizeram ou fazem parte da minha vida, eu dedico este dia, o dia do meu aniversário. Obrigado a todos por terem feito ou fazerem parte da minha vida.

3 de jul. de 2006

Pessoas, Animais, Instinto e Destruição em Massa

Esse mini-post é derivado diretamente de conversas que tenho tido com diversas pessoas, mas me inspirei mesmo para escrevê-lo após ler uma matéria de uma das poucas revistas que ainda valem a pena, a Super Interessante. O nome da matéria era "O ABraço do Amigo Urso". Também de um texto que escrevi a vários anos quando ainda morava em Santa Maria e que desencavei de um disquete estragado a poucos dias.

Bichos. Com isso eu quero dizer qualquer animal que não seja humano. Sim, humanos tem uma diferença básica, somos capazes de controlar nosso comportamento através de mecanismos que alongaram a ponte entre nossas necessidades básicas e nosso "animus", o que nos move, nos põe em ação. Essa evolução extraordinária nos permite viver em sociedade, e nos permite reprimir instintos básicos até certo ponto. A territorialidade, a fome, a sede, o instinto de sobrevivência em geral, se amoldam à nossa vontade. Isso é muito mais do que podemos dizer de qualquer animal vivo na face da terra. Somos diferentes SIM, e muito diferentes.

Então, um maluco se apaixona por ursos. Ele acha os ursos cinzentos lindos, melhores que os humanos. Ele resolve ir morar com eles, leva uma câmera de vídeo, a cara e a coragem e vai para o meio dessas criaturas, enormes, cujos filhotes em pouco tempo pesam mais que um humano adulto. Dotados de instintos que não evoluíram como os nossos. Um belo dia, esse ser humano maluco resolve se aproximar ainda mais. Dia 2 de junho estréia no Brasil o documentário que conta com partes das 100 horas de gravação desse cara, chamado Thimoty Treadwell, mas não conta com a fita final, que gravou os gritos desse maluco e sua namorada sendo devorados provavelmente pelo "senhor Chocolate", o urso amigo. O responsável pela edição e direção afirma, sobre o olhar do urso: "Não vejo nem amizade, nem compreensão, nem piedade. Só a opressiva indiferença da natureza". Assim outros casos, na mesma matéria. A maluca que achou tão lindos os filhotes de hipopótamo e foi nadar com eles, parando na UTI com dentadas da mãe. O cara que resolveu nadar com uma orca num parque aquático e ela "brincou" com ele até o afogar. O tailandês que resolveu brincar de "oferece e tira" com um elefante, foi rasgado pelas presas do animal. Os loucos que resolveram colocar flores no pescoço de um tigre, um foi morto e o outro quase.

Moral da história. Animais não são humanos, e nunca serão. Eles possuem instintos básicos, que embora em animais essencialmente domésticos podem ficar latentes, evoluindo por anos de convivência conosco, estão ali, dormentes, esperando para acordar. Até o poodle mais lindo, fofo e macio vai morder se sentir-se acudido, machucado ou ameaçado. Até a cadela mais dócil vai atacar quem ameaçar sua prole ou tentar roubar sua comida. Existem exceções, mas a regra ainda está ali. Não adianta humanizar os bichos, eles essencialmente ainda são bichos, e é quase uma violência pensar o contrário, seria banalizar nossa condição humana e banalizar a evolução pela qual esses animais passaram. A bela e cruel mãe natureza ensinou-nos a todos a sobreviver. A diferença é que ela não deu aos bichos uma consciência, uma moral. Se seu pastor alemão matar seu poodle a mordidas, não o culpe, não bata nele. Ele reagiu ao seu instinto de dominação natural, e só não faz o mesmo com você por achar que você é maior e o alimenta. Deixe de fazê-lo, mostre-se fraco, e ele tentará dominar você.

Por outro lado, nós humanos. Desenvolvidos ao ponto de termos relações sociais tão complexas que são impossíveis de descrever, classificar. Somos completos, cheios de idéias e pensamentos, moral, cívica. Integrados ao ambiente, modificando-o, por vezes o destruindo. Mas sobrevivendo.

Humanos estão (e agora entro no conteúdo do texto antigo que desencavei), fadados a destruição. E pior ainda, fadados a SE destruir. Este planeta não mais nos comporta, chegamos a um ponto de onde não há volta, somos a praga deste planeta, e logo, logo os instintos implantados pela mãe natureza, de dominação e sobrevivência do mais forte vão falar mais alto. A única diferença é que evoluímos tanto que achamos novas, mais eficientes e poderosas maneiras de nos destruir. Basta o primeiro cara apertar o botão, o segundo seguí-lo, e estamos extintos.

Quem sabe isso foi tudo planejado e somos a enésima geração "humana" no planeta. Quem sabe quando nos formos a natureza tomará conta novamente de nosso planeta e o equilíbrio seja restaurado. Quem sabe não estamos queimando nossos antepassados na massa orgânica petrolífera inclassificável a qual estamos fadados a retornar.

Uma coisa é certa. A natureza é sábia, e o mais sábio dos humanos, ou mesmo o conhecimento interligado de toda a humanidade não é capaz de competir com ela.