Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

30 de mai. de 2013

Esperança para a humanidade

Tem dias em que me revolto contra a humanidade. Isso aconteceu recentemente quando me deparei com um artigo que explora a violência em Papua Nova Guiné, com raízes em crenças e superstições não diferentes de se acreditar que alguém andou sobre a água, ou curou lepra no século I. O título do artigo diz tudo: "Estamos em 2013, e eles queimam bruxas".

Algum tempo depois me deparo com uma atitude extremamente humana, como os trabalhos sociais de um grupo espírita local, e não posso deixar de pensar: se não houvesse o espiritismo, essas pessoas não fariam o bem da mesma forma? O que leva a estas crenças ridículas, baseadas em mentiras e falcatruas? Qual o motivo de não sermos humanos por sermos humanos? Os muçulmanos atacam os cristãos, e ninguém ganha absolutamente nada com isso. Tudo pois um livro escrito quando haviam apenas duas tribos no mundo conhecido pelo autor diz que deve ser assim...

Em seguida eu vejo um projeto comunitário para construir e lançar ao espaço um telescópio. Vejo um projeto participativo para testar interações entre proteínas e chegar a curas e tratamentos para doenças. Nessas horas a esperança que deposito na humanidade reacende, apenas para ser novamente devastada por uma entrevista.

Chega a doer, essa criatura diz que o darwinismo (como se a teoria confirmada de Darwin fosse um culto de alguma forma, e não uma premissa científica provada ao longo dos séculos sem sombra de dúvida) provoca segregação racial, e retira da humanidade o pensamento de que, sendo criados unicamente, devemos fazer o bem uns para os outros. Que ridículo. O que determina as regras sociais é a própria sociedade. Por isso prendemos assassinos e ladrões, e não pois está escrito em um livro que mais parece uma colcha de retalhos de diversos séculos, mexido e remexido por homens, alguns sem escrúpulos e em uma realidade totalmente diferente da atual.

O mais interessante é a argumentação de jardim de infância dela. Onde está a prova? Aqui está a prova, contundente, irrefutável, acessível! Ok, onde está a prova? É a ignorância seletiva. Se algo prova que eu estou errado, então a prova em si está errada, e não eu. A incompreensão da idade do planeta e do universo e nossa pequena participação, de poucos milhares de anos. É fácil ser humilde perante essa percepção, como todo cientista e estudioso deve ser, e não perante um ser imaginável todo poderoso e corrupto.

A compreensão de mundo pequena e limitada que temos não deve ser desculpa perante as décadas (é, não faz muito tempo) de novas descobertas, as provas estão em todo lugar. Na sua cozinha se você tem um microondas (microondas são parte do espectro eletromagnético abaixo do infra-vermelho, que não vemos, mas esquentam sua comida), as ondas eletromagnéticas são o que me permite escrever isso, conectado sem fio a Internet, seu telefone funciona por rádio, e as antenas retransmissoras por microondas, sem falar nas AMs e FMs e na TV, via rádio ou satélite (sinal vindo do espaço). E mesmo com todas essas facilidades que a ciência criou pois não acreditou na resposta simples de que um velho de barbas criou tudo e mora lá no céu (onde os satélites orbitam). Um celular funcionando condenaria seu usuário a fogueira 400 anos atrás. É inacreditável que diante de toda a evolução as pessoas ainda escolham acreditar na explicação mais fácil e criam tantos problemas com isso (intolerância, guerras, fundamentalismo, segregação sexual, racial e de classes).

Quando confrontados, os ignorantes fogem da pergunta, e se baseiam na fé. A fé que levou as guerras, inquisição, mortes incontáveis, que ainda hoje leva seres humanos a queimarem vivo outro ser humano, decapitar um "infiel", jogar aviões contra prédios e promover atentatos em maratonas.

Eu prefiro acreditar na ciência.

28 de mar. de 2013

Ciência, religião e ateísmo


Hoje eu olhei para o céu. Estava claro, azul, e o sol brilhava do meu lado direito enquanto eu caminhava. Por um momento eu pensei em como o ser humano é incrível, e como questionar a nossa própria existência e lutar contra as forças naturais para ser a espécie dominante no planeta nos torna realmente especiais.

Depois eu lembrei que, como espécie, tivemos 200.000 anos para nos tornar assim, e apenas nos últimos 100 realmente avançamos de forma contundente. Pensei em como a vida de um ser humano representa 130 milhões de vezes menos que a idade de nosso Universo. Aí sim, me senti especial. Nessa calamidade de eventos, eu sou um privilegiado por ser um aglutinado de carbono consciente, que só aglutinou-se da forma correta para que eu seja o que sou hoje pois incontáveis replicadores, desde o início dos tempos, tentaram com avidez se replicar cada vez mais, até que macro organismos surgiram, e tornaram tudo ainda mais complexo. Isso sem falar no nosso planeta, entre incontáveis outros, em incontáveis galáxias ao longo de um universo imenso, com um sol, água líquida e atmosfera capazes de sustentar a vida.

E quem me trouxe essa visão de mundo: a ciência. Eu gosto da ciência, pois ela é uniforme e bonita. Ajusta sua visão de acordo com o que é observado, portanto, é constantemente mutante e avalia-se o tempo todo. Mesmo o que é certeza na ciência pode ser questionado, e se provado, vai refletir em tudo. A ciência está temporariamente certa e errada, até que se prove. Todo dia novas teorias surgem, e seus pais e adeptos tentam constantemente prová-las. Na ciência não existe preconceito, pois como espécie temos, todos, mudanças tão sutis que, geneticamente, somos todos semelhantes, e, portanto, discriminar é ridículo. Um negro tem um DNA quase que exatamente igual ao meu, um branco, um asiático, todos muito mais semelhantes que diferentes. Na ciência gênero ou opção sexual realmente não interessam, desde que todos produzam mais conhecimento para entender melhor o nosso universo. A ciência não nos dita como viver nossa vida, ela nos dá dicas de como viver melhor, de como nos preservar e preservar nosso ambiente, mas ela não pune quem não aceita os conselhos, pelo contrário, estuda nossas reações e procura explica-las, a natureza se encarrega das punições. Essa ciência danada, tentando explicar tudo, e não jogando nada fora.

E esse é o motivo de eu ser ateu. Eu mudei bastante nos últimos anos. Abracei o fato de não acreditar em uma divindade e saí do “espiritual, mas não religioso” para ir para uma visão naturalística do mundo e para a ciência.

Eu sei que nunca vou convencer ninguém a deixar de crer no que crê, mas, como eu disse, a ciência está temporariamente certa e errada, até que se prove o contrário. Você não pode provar que deus existe, e eu não posso provar que não existe (até porque provar uma negativa é impossível). Mas eu posso aceitar a teoria mais plausível, que é ele não existir, o universo não ter 6 mil anos, e a mulher não ter sido feita da costela do homem. Enquanto isso eu uso o bom-senso e a responsabilidade social para me ensinar o que é certo e errado, e tento viver pelo certo. Se eu (e a ciência) estiver errado, e existir deus, e existir um céu e um inferno, e eu estiver diante dos portões após minha morte, eu vou poder dizer que embora eu não tenha seguido os dogmas ridículos, os rituais toscos e os ensinamentos retrógrados de nenhuma religião (afinal, qual é a correta?), eu fui uma pessoa boa. E se qualquer religião estiver certa, e deus for perfeito, quero ver ele me mandar para o inferno. Seria uma sacanagem!

Enquanto isso, eu vivo minha vidinha insignificante, da melhor forma possível, e agradeço a ciência que me permitiu, através da medicina e de tantas outras disciplinas, viver mais e melhor que meus antepassados. E vivo intensamente, pois cada ano que passa é uma comprovação da superação humana, e de nossa evolução. Saboreio cada momento com amigos, família e prazeres diversos, como comer um sushi acompanhado da noiva ou viajar para um show de Heavy Metal e rever os amigos (que batem esse tipo de papo sem se ofender). E admiro poder questionar tudo isso sem que um fundamentalista ignorante queira me matar porque eu penso diferente dele, infelizmente, nem todos podem.

PS: Se existir um deus, e um céu, e um inferno, esses ignorantes que desprezam quem pensa diferente, que usam um livro mal traduzido de séculos atrás para justificar indiferença, violência e desigualdade, vão para o inferno.

27 de fev. de 2013

Serviços essenciais

Já falei sobre a valorização dos profissionais, e como a maioria das pessoas não nota que uma profissão deve ser valorizada. Hoje o assunto, embora parecido, e relacionado, é diferente.

Hoje falarei sobre o resultado direto das profissões, os serviços prestados por elas. O problemas com a maioria das pessoas é que após algum tempo desfrutando de um serviço ou facilidade, parece que esta situação nunca mudará. É uma mistura de conformismo com falsa segurança. Quando um serviço essencial para, ao invés de valorizar ainda mais os profissionais que agora estão correndo para novamente prover este serviço, o usuário reclama, não aceita prazos nem diagnósticos, quer tudo consertado, para ontem, como se este serviço fosse de fato garantido, e não mantido por centenas de profissionais cheios de trabalho PREVENINDO e garantindo que o problema não se repita constantemente. Problemas ACONTECEM, o tempo todo, valorize o fato de ter alguém correndo atrás para que você novamente tenha acesso a algo essencial.

Vários fatores podem ocasionar falhas em um serviço essencial. A maioria destes fatores tem a ver com falhas mecânicas e irresponsabilidade dos próprios usuários do serviço.

Falta água pois a madame tem que, toda sexta-feira, mesmo no pior período de estiagem que já passamos, lavar a calçada com mangueira e desperdiçar dezenas de litros de água potável. Falta luz pois os gatos e remendos residenciais enganam a prestadora e exercem carga não prevista no sistema, os aparelhos estão velhos e gastos e consomem energia com eficiência perto de 30%. Se o lixeiro não passar uma semana, a cidade literalmente afunda em lixo. Se o policial atende aquele enésimo caso de violência doméstica reportado pelo vizinho, em que a vítima vai, pela enésima vez, recusar a prestar queixas, ele não atende quem realmente precisa (e quer prestar queixa). Cada processo de separação de corpos com desistência movimenta os escritórios-modelo em que profissionais trabalham pro bono e a estrutura do Judiciário, apenas para serem arquivados em seguida, novamente, por desistência (e ignorância).

Vamos valorizar o tempo, o profissionalismo e esforço de nossos servidores essenciais. Aqueles sem os quais você não tem água, luz, esgoto, lixo recolhido, queixas prestadas, direitos garantidos, atendimentos prestados e situações sanadas.

Lembre-se da importância destas pessoas e trate-as com o respeito que elas merecem, não por coerção, como alguns fazem com a polícia, mas por respeito aos serviços e sacrifícios que estes profissionais todos os dias fazem.