Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

5 de nov. de 2012

Windows 8

Hoje resolvi testar o Windows 8. Claro que aproveitei a promoção e adquiri ele por 69 reais diretamente através do programa disponibilizado pela Microsoft. Eu havia testado pouco tempo atrás o Consumer Preview, versão para avaliação do sistema, e embora não tenha ficado impressionado, não tive tanta dor de cabeça como hoje.
Antes de mais nada, o Windows disse que era totalmente compatível com meus aplicativos, talvez porque eu seja um "upgrade man" e mantenha tudo atualizado. Ele mencionou algo como não poder usar a inicialização protegida pois meu hardware não suporta, a falta de capacidade do Windows 8 para gadgets da área de trabalho e mais alguma coisa ridícula.
A primeira tentativa era atualizar sem perder nada. Tentei, diversas vezes, apenas para parar aos 90% com a mensagem SUPER INFORMATIVA "A instalação do Windows 8 falhou!". Desativei, desinstalei o antivirus, desinstalei alguns softwares, tentei novamente, nada. Mesma mensagem ridícula. Bom, se não posso manter tudo, ao menos manter meus arquivos. Nada feito. Mesmo problema. Bom, nada que um backup e restaurar depois pela "Transferência Fácil"  não resolva. Vamos começar do zero. E assim o fiz.

Instalou. Embora não tivesse nenhum programa, instalou! Bootou direitinho, pareceu até bem rápido. Aí começou o pesadelo... Não tinha rede. O CP (Consumer Preview) que eu tinha instalado antes tinha reconhecido meu adaptador de rede sem fio. Não sei qual o motivo da versão final do Sistema não reconhecer, mas enfim. Baixei o driver para Windows 7 e instalei (e funcionou, fiquei feliz, pois o suporte a hardware do W7 é ótimo e se o W8 seguisse por essa linha, tudo funcionaria). Agora eu tinha rede, e o Windows 8 "desabrochou", sim, pois o W8 sem rede não vale nada, é ridículo e confuso. A interface Metro é uma bosta, se esse não é seu primeiro computador, vais penar alternando entre o modo "Metro" e o modo normal, de Desktop (que a maioria dos aplicativos usam). A falta do menu iniciar só piora tudo, mas é apenas um paradigma, o problema todo é o Metro e sua nova maneira de lidar com a tela, boa para tablets, e horrível para quem depende do mouse para deslocar e "mirar" nos ícones.

E a surpresa. Meus dois drives externos, que possuem 99% do conteúdo que vale a pena salvar, não foram reconhecidos. Aparentemente não há solução para isso, e mesmo depois de extensiva pesquisa não consegui usar os discos. Foi-se a experiência com o W8. Pior que isso, os drives são listados como dispositivos, mas não são acessíveis, pois não são reconhecidos como discos. Teve mais hardware que também "passou batido"  embora seja suportado perfeitamente e sem downloads externos no W7. Desilusão. Como o backup estava em um dos discos, nada feito, não teria como reaver meus arquivos e configurações, é o fim do sonho para mim.

Boot via disco, para retornar o backup do W7 feito antes da instalação. Pois não é que o W8 corrompeu de tal forma o disco ao reparticionar que não permite ao próprio sistema de recuperação usar o meu backup? Desespero na alma. São 2 e 15 da madrugada e estou sem computador. Digito este post do meu tablet, que ainda bem, roda Android, pois se eu tivesse que usar a tal "Metro" no tablet a essas horas ele teria virado um "frisbee". Enquanto rezo e espero o disco tentar reparar a inicialização e quem sabe poder recuperar minhas informações ainda hoje (senão a insônia pega) eu penso que, de fato, a maldição continua. A Microsoft conseguiu fazer um novo FAIL. Eu lembro quando o W7 saiu e instalar ele era uma maravilha, pelo extremo suporte a hardware novo. Meu hardware não é velho, mas parece que a MS não sabe disso. O Windows 8, do ponto de vista deste humilde usuário, é uma merda, perdi dinheiro e tempo investindo nesse upgrade, para virar um downgrade e agora virar um desespero de tentativa de recuperação.
Obrigado Microsoft, por mais esta noite mal dormida. Achei que depois do fiasco do Vista vocês aprenderiam, mas pelo visto, o Windows 8 é o novo Vista. Novo e lindo. E uma bosta.

EDIT: Agora, 3:30 da madruga, ainda nada. Estou reinstalando o Windows 7 para ver se ele desfaz a merda que o W8 fez e me permite recuperar a imagem do sistema (que, ainda bem, está íntegra em meu HD externo). Dedos cruzados.

EDIT2: 4 da matina. A imagem não estava íntegra, algum tipo de corrupção de dados conseguiu inutilizar a imagem do sistema. E agora...

EDIT3: Vou dormir, não tem jeito, o negócio é conseguir dormir um pouco.

EDIT4: 10 da manhã. Fui buscar um cabo conversor no serviço para ver se consigo recuperar alguma coisa do backup corrompido.

EDIT5: 11:00 - O Acronis não reconhece a imagem, tentar montar o .VHD no Gerenciador de Disco me fornece um disco sem partições, a coisa tá feia.

EDIT6: 12:00 - Estou copiando os dados da imagem VHD (que o 7zip conseguiu ler) está vindo um monte de arquivos corrompidos, um monte de duplicatas e um eito de arquivos de sistema, indexação e metadados no meio... Só preciso extrair a CHAVE do Windows original para não ter que cavocar nos emails da Microsoft de 2 anos atrás...

EDIT7: 12:30 - 50 GB recuperados, o KeyFinder localizou a chave. Menos mal. Isso aliado ao backup dos dados de usuário da Transferência Fácil vai facilitar o processo de reconstrução do sistema. SÓ vou ter que reinstalar TODOS os programas... Os dados vão vir na restauração.

EDIT8: Agora vou trabalhar... E deixar o processo, que deve durar mais 1 hora e meia. Resta aguardar a surpresa quando chegar em casa daqui 7 horas.

EDIT9: Cheguei em casa, desconectei os discos e resolvi tentar bootar o sistema. Pois não é que bootou! Ufa! Tudo de volta nos seus devidos lugares, algumas corrupções do sistema e algumas correções e foi como se nada tivesse acontecido. Galera, volto a frisar: BACKUP É ESSENCIAL! Agora efetuar a limpeza das réstias da restauração dos arquivos via 7zip direto da imagem...
 

21 de out. de 2012

Trânsito

Existem regras que não podem ser quebradas. Geralmente pensamos nas regras como impostas pela sociedade e para sociedade, assim, a proteção que elas oferecem seria destinada aos outros. Acho que esse é o grande problema do trânsito, o egocentrismo. Ninguém pensa que está atravancando o trânsito, colocando os outros em risco e promovendo um comportamento errado e perigoso, que vai ser imitado pelas próximas gerações.

Algumas regras deveriam estar no Código Nacional de Trânsito e não estão. Algumas normas para fabricantes que reduziriam os acidentes se aplicadas. Vou enumerar algumas que acho essenciais:

1) Não sinalizar convergência seria punido com um peteleco na orelha. Qualquer passageiro no veículo poderia fazê-lo. Reagir seria punido com outro peteleco, dessa vez pela autoridade de trânsito, seguido de uma noite no xilindró.

2) Os veículos deveriam ser equipados com sensores no volante, acima de 40 km/h se o motorista retirasse uma ou as duas mãos do volante por mais de 2 segundos (tempo necessário para se trocar uma marcha), o acelerador seria desativado. Não é opcional usar as duas mãos no volante em alta velocidade. Não me importa se seu carro é automático/hidramático/elétrico/movido a jumento (que é você quando larga o volante para por a mão para fora da janela a 100 km/h). Tem gente que parece cachorro. Os cachorros suam pela língua e portanto quando estão com calor colocam ela para fora para regular a temperatura do corpo, imagino que tem gente que faz o mesmo, com o braço esquerdo.

3) Distância mínima do outro veículo não é opcional. Fica mais difícil ultrapassar estando “grudado” no carro da frente. Você está colocando em risco o seu patrimônio e o dos outros, e até as vidas de inocentes e a sua própria, fiasquento. Um dia ainda teremos computadores que desabilitarão com segurança o acelerador caso o veículo esteja a menos de 10m de um obstáculo.

4) Ligar o pisca alerta não exime a responsabilidade do motorista que coloca em risco os outros parando em fila dupla, tentando uma baliza quase impossível. Andar abaixo da velocidade mínima permitida é tão perigoso quanto andar rápido.

5) Os espelhos não são brinquedos, não são opcionais e devem ser USADOS. Se um motorista não tem capacidade mental de se manter antenado ao seu arredor com os espelhos, se orientar por eles e manter os olhos abertos a todo o momento, ele NÃO PODE DIRIGIR. Isso se aplica a dirigir distraído, com sono, etc.

6) Cinto de segurança deveria ter um sensor que apitasse quando não fosse usado. Mas não esse bip tosco dos carros mais modernos, deveria ter uma buzina ensurdecedora se o veículo ultrapassasse 10 km/h e todos os ocupantes não estivessem usando cinto. Se o veículo não possui o sensor, a regra do peteleco do item 1 se aplica.

Pense nos seus passageiros. Um fato que poucas pessoas sabem é que o passageiro não tem a mesma noção do veículo e das manobras que o motorista, uma coisa perfeitamente normal para o motorista pode fazer um passageiro “se agarrar ao banco” de medo.

Pense nos outros motoristas também, não atravanque o trânsito, não ande nem muito devagar nem como um louco de pressa. Não se coloque em riscos desnecessários, não seja imprudente, sinalize suas ações na condução do veículo.

Acima de tudo, passe essas regras para seus filhos. Vamos criar uma geração que não vai ter loucos no volante matando a si mesmo e aos outros pois querem impressionar alguém, chegar 5 minutos mais cedo ou testar os limites do veículo.

14 de out. de 2012

Seu animal de estimação e você...


Explicar a relação entre um cachorro e seu dono humano em termos humanos é complicado. No entanto, como em tantas outras situações, se nos distanciamos de nossas certezas, dogmas e antropocentrismo, talvez seja possível. Antes de mais nada, cachorros não sentem como os seres humanos. Nenhum bicho sente como o ser humano na verdade. A explicação é uma intrincada relação entre evolução, sociedade e relacionamentos que não cabe discutir nesse post.

Eu cheguei a essa conclusão pouco tempo atrás, quando pude perceber uma "relação" entre dois bichos ser destruída por uma intervenção cirúrgica. Na casa da minha sogra existe uma gata, uma mestiça siamês de 6 anos de idade. Na época ela ficou prenha e teve alguns filhotes. Alguns morreram, outros foram doados, mas um deles ficou "por lá". A gata se relacionava bem com ele, como é normal a uma mãe e seu filhote.

Depois do desmame, a relação entre os dois continuava sólida. Embora a mãe tivesse privilégios (como frequentar o interior da casa), o filhote estava sempre por perto, e era cuidado pela minha sogra. Mas houve uma certa preocupação. Já era a terceira ou quarta ninhada dela e não queríamos mais uma. A solução natural: castrar a gata. Uma cirurgia em uma gata que nunca havia sido transportada, nunca tinha usado uma coleira. Mas enfim, o procedimento foi executado e a gata retornou ao lar recuperada, a cirurgia tinha sido um sucesso e mesmo o trauma da recuperação na clínica não tinha afetado a relação do felino com a minha sogra ou mesmo conosco.

No entanto, assim que ela chegou, o filhote percebeu, e resolveu ir recepcionar a mãe. A gata-mãe expulsou o filhote, enfurecida. A relação dos dois se tornou instável, ela não mais permitiu que ele se aproximasse, muito menos dividisse a comida como antes. Uma mãe rejeitou seu filhote. Se olharmos em termos humanos, a idéia é revoltante. No entanto, a castração promoveu a remoção dos órgãos reprodutores, grandes produtores dos hormônios da maternidade. Sem estes hormônios, que identificavam a sua prole e instigavam um instinto protetor materno, a gata passou a não reconhecer naquele outro felino seu filhote. Ele agora era um gato macho competindo pelos recursos territoriais com ela.

Depois de um tempo a gata não mais atacou diretamente o seu filhote, a relação entre os dois até hoje é "delicada". Com uma respeitosa distância mantida, a gata assumiu o comando do território e o macho acabou se submetendo, e portanto, deixou de ser uma ameaça potencial. A gata castrada ficou mais caseira, deixou de retornar das "noitadas" com machucados de brigas e se tornou mais dócil. Não sou veterinário, mas me parece óbvio que os hormônios tiveram um papel determinante nos eventos que narrei. Serve para ilustrar a abismal diferença e semelhança entre os relacionamentos entre humanos e entre bichos.

O que me levou a escrever este post foi uma frase da noiva, no almoço: "um cachorro abandonado deve ficar confuso, pois só deu amor e carinho e agora está sozinho, rejeitado". Não. Na verdade, o cachorro não dá "amor" nem "carinho". Eu estou convencido que a melhor palavra para descrever a relação entre um cachorro e seu dono por parte do cachorro é "lealdade". O cachorro recompensa com submissão (não é amor que uma lambida representa, é submissão), lealdade (o cachorro aguarda ordens, espera comandos, quer que você oriente ele no que fazer) e trabalho (vigilância, entretenimento, guarda) uma relação que provê companhia, recursos (água, comida) e segurança. É por isso que um cão reage a violência com submissão ou agressividade, conforme seu relacionamento anterior ensinou, e também é por isso que não podemos culpar um cão agressivo, e sim aos seus donos ou a falta deles.

Embora o cachorro desperte em todos nós o sentimento de que ele é uma criança, ele não é. Ele responde de forma diferente ao ambiente do que um ser humano faria. Ele responde achando que a família humana que o adotou é uma matilha, com líderes que o orientarão em como ser útil e o recompensarão com reconhecimento, companhia, água, comida e um local seguro para dormir. Se um cachorro entra em um lar desequilibrado e sem papéis bem definidos, ele não aprende como receber as recompensas, e acaba tendo que assumir a liderança da relação, o que gera todos os problemas de comportamento que vemos por aí.

Um bicho é, antes de mais nada, um bicho. Antropormofizar este ser é uma violência, um insulto ao seu papel na evolução e aos séculos de aprimoração de nossa relação simbiótica com eles. Tendo isso em mente e aplicando no seu relacionamento com seu cão ou gato, ele será um bichinho equilibrado, se acostumará com sua rotina e se provará uma companhia agradável, um amigo inseparável e uma saudade constante. Quantos de seus amigos humanos são capazes de despertar estes sentimentos em você?