Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

5 de jun. de 2013

Ansiedade e o futuro


Praticamente todos os dias me deparo com mensagens no Facebook dizendo para "viver a vida ao máximo", que "a vida é curta", que "não perca tempo". A única coisa que me vem a cabeça quando vejo esse tipo de postagem é: "ansiedade".

Pessoas que ainda não acharam seu centro (ou desistiram de procurar) tentando justificar um modo de vida frenético como se fosse a única maneira de viver plenamente. Dormir é bobagem, ou como alguns dizem: "vai ter muito tempo para dormir no cemitério". Vamos provar tudo que existe, numa busca desesperada de felicidade. Dormir é um descanso necessário para nosso corpo e mente, exercícios também tem duplo benefício, manter-se ativo física e mentalmente evita uma deterioração precoce e previne problemas, e uma vida equilibrada e feliz é plena. Não importa o que os outros digam, pois a felicidade é subjetiva, um conceito que somente o indivíduo pode atestar.

A felicidade está dentro de cada um. Ache algo que gosta de fazer para tornar sua profissão, se não conseguir, ache um hobby que não exclua completamente sua família e amigos, e divida essa experiência. Conviva com harmonia, tente desfazer os nós ao invés de atá-los. Seja compreensivo, mas firme. Tente melhorar suas relações, manter as que existem, criar novas se for o caso. Tente experiências novas, mas não se entregue ao desespero dos riscos exorbitantes nem aos prazeres momentâneos que cobram seu preço mais tarde. Satisfaça-se, sem depender dos outros, e tente satisfazer os outros, da melhor forma possível, cultivando suas relações interpessoais no trabalho, no grupo social e na família. Faça tudo isso de forma equilibrada, sem exageros, sem cobranças, e principalmente, sem arrependimentos. Viva pela filosofia "aconteceu da forma como deveria acontecer, e não poderia ter acontecido de nenhuma outra forma" pois suas ações repercutem e levam aos acontecimentos, e é humanamente impossível prever todas as ramificações dos seus atos e planejar cada passo em direção ao futuro.

Viver com equilíbrio nos leva a viver bem, e acaba afetando as pessoas ao redor. O exagero só torna tudo mais complicado, e muitas vezes uma noite alucinante cobra seu preço de formas explícitas e implícitas. Permitir-se uma "loucurinha" de vez em quando também faz parte, mas se você teve uma adolescência plena, essa foi a época para tentar estas coisas e achar seu "meio termo" para viver uma vida equilibrada quando adulto. Não confunda prazer com felicidade. Quem mais se vangloria das conquistas geralmente é quem não está satisfeito com elas e portanto os relatos mirabolantes geralmente são carregados de amargura e uma tentativa de compensar algo faltante.

Encare a ficção como ficção, não como lições de vida. As únicas lições de vida que valem a pena são as que são vividas. Não aumente suas expectativas diante das experiências e situações dos outros. Provavelmente eles tem tantos problemas quanto você, não importa se são mais ricos, mais jovens, mais bem sucedidos. Sua vida é o que importa, e a inveja também leva a uma forma de ansiedade.

De tanto se preocupar com os outros, em como sua vida se compara com a deles, em tudo que você poderia ter feito e não fez, as oportunidades perdidas que acontecem o tempo todo, os problemas que te afetam, você acaba vivendo no futuro, saudoso do passado e indignado com o presente. Indigna-se com pessoas que não sentem essa ansiedade, com quem não tenta viver no limite, buscando prazeres momentâneos eternamente.

"A chama mais brilhante queima mais rápido", mas não aquece ninguém por muito tempo. Se artistas fossem fadados a loucura e plenitude manchada pela brevidade, muitos não estariam vivos e nos contemplando com novas criações. Muitos fizeram sucesso e o fizeram em todas as áreas, estão vivos como testemunho de que uma vida plena não precisa ser uma vida curta e recheada de extremos. Os que se foram rapidamente deixaram saudade, e deixaram as possibilidades que não aconteceram, e que, novamente, são saudosamente lembradas pelos ansiosos ou aproveitadas pelos contentes.

Ansiedade leva inexoravelmente a depressão. Quando a efemeridade das situações que desencadeiam prazer se vai, resta a profunda reflexão do valor que as pequenas coisas oferecem, e nesse instante o conforto resultante de um equilíbrio geral na vida pode manter você a salvo do desespero de uma vida cheia de exageros, que não mais pode ser vivida por deterioração normal de nossos corpos e mentes ou manutenção da convivência em sociedade.

Portanto, aproveite os exageros se for jovem, para ser um adulto equilibrado. Procure a felicidade dentro de si mesmo e seja feliz, faça os outros felizes, sem se preocupar com o tempo limitado.

30 de mai. de 2013

Esperança para a humanidade

Tem dias em que me revolto contra a humanidade. Isso aconteceu recentemente quando me deparei com um artigo que explora a violência em Papua Nova Guiné, com raízes em crenças e superstições não diferentes de se acreditar que alguém andou sobre a água, ou curou lepra no século I. O título do artigo diz tudo: "Estamos em 2013, e eles queimam bruxas".

Algum tempo depois me deparo com uma atitude extremamente humana, como os trabalhos sociais de um grupo espírita local, e não posso deixar de pensar: se não houvesse o espiritismo, essas pessoas não fariam o bem da mesma forma? O que leva a estas crenças ridículas, baseadas em mentiras e falcatruas? Qual o motivo de não sermos humanos por sermos humanos? Os muçulmanos atacam os cristãos, e ninguém ganha absolutamente nada com isso. Tudo pois um livro escrito quando haviam apenas duas tribos no mundo conhecido pelo autor diz que deve ser assim...

Em seguida eu vejo um projeto comunitário para construir e lançar ao espaço um telescópio. Vejo um projeto participativo para testar interações entre proteínas e chegar a curas e tratamentos para doenças. Nessas horas a esperança que deposito na humanidade reacende, apenas para ser novamente devastada por uma entrevista.

Chega a doer, essa criatura diz que o darwinismo (como se a teoria confirmada de Darwin fosse um culto de alguma forma, e não uma premissa científica provada ao longo dos séculos sem sombra de dúvida) provoca segregação racial, e retira da humanidade o pensamento de que, sendo criados unicamente, devemos fazer o bem uns para os outros. Que ridículo. O que determina as regras sociais é a própria sociedade. Por isso prendemos assassinos e ladrões, e não pois está escrito em um livro que mais parece uma colcha de retalhos de diversos séculos, mexido e remexido por homens, alguns sem escrúpulos e em uma realidade totalmente diferente da atual.

O mais interessante é a argumentação de jardim de infância dela. Onde está a prova? Aqui está a prova, contundente, irrefutável, acessível! Ok, onde está a prova? É a ignorância seletiva. Se algo prova que eu estou errado, então a prova em si está errada, e não eu. A incompreensão da idade do planeta e do universo e nossa pequena participação, de poucos milhares de anos. É fácil ser humilde perante essa percepção, como todo cientista e estudioso deve ser, e não perante um ser imaginável todo poderoso e corrupto.

A compreensão de mundo pequena e limitada que temos não deve ser desculpa perante as décadas (é, não faz muito tempo) de novas descobertas, as provas estão em todo lugar. Na sua cozinha se você tem um microondas (microondas são parte do espectro eletromagnético abaixo do infra-vermelho, que não vemos, mas esquentam sua comida), as ondas eletromagnéticas são o que me permite escrever isso, conectado sem fio a Internet, seu telefone funciona por rádio, e as antenas retransmissoras por microondas, sem falar nas AMs e FMs e na TV, via rádio ou satélite (sinal vindo do espaço). E mesmo com todas essas facilidades que a ciência criou pois não acreditou na resposta simples de que um velho de barbas criou tudo e mora lá no céu (onde os satélites orbitam). Um celular funcionando condenaria seu usuário a fogueira 400 anos atrás. É inacreditável que diante de toda a evolução as pessoas ainda escolham acreditar na explicação mais fácil e criam tantos problemas com isso (intolerância, guerras, fundamentalismo, segregação sexual, racial e de classes).

Quando confrontados, os ignorantes fogem da pergunta, e se baseiam na fé. A fé que levou as guerras, inquisição, mortes incontáveis, que ainda hoje leva seres humanos a queimarem vivo outro ser humano, decapitar um "infiel", jogar aviões contra prédios e promover atentatos em maratonas.

Eu prefiro acreditar na ciência.

28 de mar. de 2013

Ciência, religião e ateísmo


Hoje eu olhei para o céu. Estava claro, azul, e o sol brilhava do meu lado direito enquanto eu caminhava. Por um momento eu pensei em como o ser humano é incrível, e como questionar a nossa própria existência e lutar contra as forças naturais para ser a espécie dominante no planeta nos torna realmente especiais.

Depois eu lembrei que, como espécie, tivemos 200.000 anos para nos tornar assim, e apenas nos últimos 100 realmente avançamos de forma contundente. Pensei em como a vida de um ser humano representa 130 milhões de vezes menos que a idade de nosso Universo. Aí sim, me senti especial. Nessa calamidade de eventos, eu sou um privilegiado por ser um aglutinado de carbono consciente, que só aglutinou-se da forma correta para que eu seja o que sou hoje pois incontáveis replicadores, desde o início dos tempos, tentaram com avidez se replicar cada vez mais, até que macro organismos surgiram, e tornaram tudo ainda mais complexo. Isso sem falar no nosso planeta, entre incontáveis outros, em incontáveis galáxias ao longo de um universo imenso, com um sol, água líquida e atmosfera capazes de sustentar a vida.

E quem me trouxe essa visão de mundo: a ciência. Eu gosto da ciência, pois ela é uniforme e bonita. Ajusta sua visão de acordo com o que é observado, portanto, é constantemente mutante e avalia-se o tempo todo. Mesmo o que é certeza na ciência pode ser questionado, e se provado, vai refletir em tudo. A ciência está temporariamente certa e errada, até que se prove. Todo dia novas teorias surgem, e seus pais e adeptos tentam constantemente prová-las. Na ciência não existe preconceito, pois como espécie temos, todos, mudanças tão sutis que, geneticamente, somos todos semelhantes, e, portanto, discriminar é ridículo. Um negro tem um DNA quase que exatamente igual ao meu, um branco, um asiático, todos muito mais semelhantes que diferentes. Na ciência gênero ou opção sexual realmente não interessam, desde que todos produzam mais conhecimento para entender melhor o nosso universo. A ciência não nos dita como viver nossa vida, ela nos dá dicas de como viver melhor, de como nos preservar e preservar nosso ambiente, mas ela não pune quem não aceita os conselhos, pelo contrário, estuda nossas reações e procura explica-las, a natureza se encarrega das punições. Essa ciência danada, tentando explicar tudo, e não jogando nada fora.

E esse é o motivo de eu ser ateu. Eu mudei bastante nos últimos anos. Abracei o fato de não acreditar em uma divindade e saí do “espiritual, mas não religioso” para ir para uma visão naturalística do mundo e para a ciência.

Eu sei que nunca vou convencer ninguém a deixar de crer no que crê, mas, como eu disse, a ciência está temporariamente certa e errada, até que se prove o contrário. Você não pode provar que deus existe, e eu não posso provar que não existe (até porque provar uma negativa é impossível). Mas eu posso aceitar a teoria mais plausível, que é ele não existir, o universo não ter 6 mil anos, e a mulher não ter sido feita da costela do homem. Enquanto isso eu uso o bom-senso e a responsabilidade social para me ensinar o que é certo e errado, e tento viver pelo certo. Se eu (e a ciência) estiver errado, e existir deus, e existir um céu e um inferno, e eu estiver diante dos portões após minha morte, eu vou poder dizer que embora eu não tenha seguido os dogmas ridículos, os rituais toscos e os ensinamentos retrógrados de nenhuma religião (afinal, qual é a correta?), eu fui uma pessoa boa. E se qualquer religião estiver certa, e deus for perfeito, quero ver ele me mandar para o inferno. Seria uma sacanagem!

Enquanto isso, eu vivo minha vidinha insignificante, da melhor forma possível, e agradeço a ciência que me permitiu, através da medicina e de tantas outras disciplinas, viver mais e melhor que meus antepassados. E vivo intensamente, pois cada ano que passa é uma comprovação da superação humana, e de nossa evolução. Saboreio cada momento com amigos, família e prazeres diversos, como comer um sushi acompanhado da noiva ou viajar para um show de Heavy Metal e rever os amigos (que batem esse tipo de papo sem se ofender). E admiro poder questionar tudo isso sem que um fundamentalista ignorante queira me matar porque eu penso diferente dele, infelizmente, nem todos podem.

PS: Se existir um deus, e um céu, e um inferno, esses ignorantes que desprezam quem pensa diferente, que usam um livro mal traduzido de séculos atrás para justificar indiferença, violência e desigualdade, vão para o inferno.