Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

29 de mar. de 2007

Brasileiros, educação e netiquette

Não querendo copiar o post do Caio, quero falar um pouco sobre o mesmo assunto. Recentemente notei que o problema não é o BRASIL, mas sim, os BRASILEIROS. A parte que se revela de nosso povo na Internet e até mesmo fora dela se prova mal educada, egocêntrica e dotada de um patriotismo distorcido para a forma "pizza". Talvez o motivo seja nosso sistema de educação deficitário, talvez seja a impunidade, talvez seja apenas genética ou mesmo tradição. O fato é que o brasileiro tenta tirar vantagem em tudo. Qualquer coisa merece aquele toque, aquele "jeitinho", que nada mais é do que sacanear todo mundo para ter algum lucro. Tudo que o brasileiro faz pode acabar em pizza, desde um assassinato, como o do índio Pataxó em Brasília, até uma CPI. O brasileiro é capaz de tornar um assunto de extrema importância uma piada internacional, como quando o Lula disse que o Putin (russo) ficou "putin" com o Brasil, ou quando nossa Ministra da Igualdade Social mencionou que "o racismo dos negros para com os brancos é algo normal, até natural".

A internet nos traz diversas vantagens, e algumas desvantagens, uma delas é ter uma visão mais ampla do que acontece ao redor do mundo, tendo opíniões de quem mora lá, de quem trabalha lá fora, de quem está muito longe para a gente conversar num bar. Infelizmente, essa visão ampliada na maioria das vezes me entristece, pois sou inegavelmente levado a comparar o exterior com o nosso Brasil, e me entristece notar que somos uma piada internacional, talvez por não levarmos nem a sério o que acontece aqui dentro mesmo. É só olhar o filme "Turistas". É claro que não sou a favor de roubar órgãos de ninguém, mas que a atitude de se rebelar e tomar de volta um pouco do que nos tiram é uma filosofia interessante. Exportamos conhecimento, e compramos de volta tecnologia, exportamos matéria prima barata para comprar industrializados caros. É triste. E tem gente contra o filme, vai reduzir o turismo... Tomara que reduza, menos estatística policial. Tá doido, leiam o post do Caio Verídico apontado acima para ter mais informações.

É uma tamanha falta de educação, que os 11% de nosso povo que tem acesso a Internet conseguem ser chamados de "praga brasileira", tomando conta de serviços, levando eles a falência e obrigando atitudes de restrição que englobam todo o povo. Enquanto isso, uma puta que deu pro namorado numa praia da espanha faz com que nossa "justiça" queira forçar um site internacional a tirar seu vídeo ridículo da Internet. Só podia ser uma brasileira.

Hoje mesmo, me vi forçado a deixar a lista "gentoo-user-br", lista de email dos usuários do meu Sistema Operacional Linux Gentoo em português. Motivo: alguns brasileiros legítimos que se recusam a seguir normas simples de envio de emails para listas. O famoso top post. Eu participo de várias listas, na maioria internacionais, idioma inglês, e na maioria absoluta delas, se você faz top post, é advertido. Na lista em português, foi DISCUTIDO sobre o top post. Credo, chega a ser ridículo. Para melhorar, querem mandar emails para a lista em HTML, fazendo uma GOSMA chegar na minha caixa de entrada. E eu sustentando a netiquette, "Network Etiquette". Perdi a discussão. Enquanto isso, na lista em inglês análoga "gentoo-user", quem faz top post é advertido e orientado a não fazê-lo. Brasileiro tem que ser diferente. Tem que ler de trás prá frente e postar negrito, sublinhado, itálico, para ferrar com meu visualizador de email e gerar mais tráfego.

Já ferraram com o Orkut, que ficou um lixo, e tende a piorar, por causa dos brasileiros. Bloquearam o envio automático de scraps colocando uma imagem de autenticação, agora enviam testimonials de spam. E pior que tá cheio de gente infectado com vírus. Computador de brasileiro é nicho de vírus, se eu fosse espalhar um hoje, começaria em São Paulo, sem dúvida. É triste. Ferraram com meu jogo online de Golf também, o PangyaBR morreu lenta e dolorasamente nas mãos de brasileiros de estirpe usando cheats e tirando sarro dos jogadores honestos. Ultima online foi obrigada a colocar filtros de IP contra os brasileiros, que eram uma praga. Não dá prá jogar CounterStrike mais pois servidores nacionais (mais rápidos) estão atolados em cheaters.

Quase dá vontade de desistir...

Mas como diria o Babado Novo (sucesso do carnaval):

Vai vai vai fica aqui meu avião
Vem vem vem que o Brasil não tem vulcão
Vai vai vai suba aqui na minha moto
Vem vem vem que aqui não tem terremoto

Só tem um monte de gente idiota e mal educada...

PS: Desculpas honestas aos poucos brasileiros que tem educação, e usam ela.

22 de mar. de 2007

Serviços especiais

Eu sou um comodista, confesso.

Atualmente estamos na época do consumismo. Basicamente, tudo que pode-se querer está à venda (por favor, me refiro a bens materiais, não me venham com o blablablá de que dinheiro não traz felicidade). Sendo assim, somos um alvo. Uma espécie de meta para todos os empresários, empreendedores e em geral qualquer pessoa que venda algo.

Sendo alvos, temos que ser atraídos, e aí entra a concorrência. Essa competição pelo nosso dinheiro melhora os serviços, moderniza as instalações, ajuda quem trabalha duro e bem e pune impiedosamente quem não dá atenção para o fato de que nós, os clientes, os consumidores, somos a verdadeira missão deles.

Vou citar alguns exemplos, retirados da minha opinião pessoal. Eu até poderia citar os nomes das empresas, restaurantes, lancherias, mas não creio que seja uma boa idéia, visto a quantidade de litígios resultantes de coisa muito menor.

Resolvi ir jantar, acompanhado, em um restaurante aqui de Santo Ângelo. Depois de uma breve olhada no cardápio pedimos uma pizza, meia calabresa, meia bacon, e esperamos. Mas esperamos MESMO, demorou quase uma HORA para vir a tal da pizza. Eu, como conhecedor do bacon que sou, quando o garçom estava a mais de 3 metros já pensei "mas essa pizza, ou tem bacon estragado, ou não é bacon". Suspeitas confirmadas assim que a dita cuja aterrisou na mesa, nem deixei o garçom ir embora, transcrição fiel do diálogo que se seguiu:

Eu: "Cara, essa não foi a pizza que eu pedi, eu pedi bacon".
Garçom: "Senhor, essa pizza é de bacon".
Eu: "Não, essa pizza é de BRÓCOLIS".
Garçom: "Senhor, a pizza tem brócolis por cima, mas é de bacon".
Eu: "Cara, se a pizza tivesse brócolis, eu não teria pedido, no cardápio constam os ingredientes, e eu não vi brócolis na pizza de bacon".

Ele então pega a espátula, triunfante, e espreme uma das coisas verdes na pizza, para provar que era bacon. Quando aquela coisa verde pastosa foi esmagada e ele percebeu a furada, a conversa mudou de sentido:

Garçom: "Senhor, desculpe, deve ter havido algum engano, eu vou verificar".

Exatamente 10 MINUTOS depois, ele voltou, pedindo desculpas, dizendo que havia ocorrido um engano na cozinha, e trazendo a pizza verdadeira. Em 10 MINUTOS, quero dizer, qual foi o motivo de eu ter esperado quase uma hora antes, se em 10 minutos eles fizeram a minha pizza quando se deram conta da cagada feita?

De qualquer modo, tinha tomado tanta coca-cola que nem com fome mais estava, comi aquela pizza (que aliás nem era boa) e fomos embora.

Outra ocasião, restaurante diferente. Chegamos por volta das 23h, convenci meu amigo a pedir um prato diferente, mas muito bom, que eu havia provado anteriormente. O restaurante estava meio cheio, então já esperava que demorasse pelo menos uma meia hora, tranquilo. Quando passou de uma hora, chamamos o garçom, pedindo o motivo da demora:

Garçom: "Ah, mas esse prato demora mesmo".
Eu: "Cara, já pedi esse prato, e não demorou tanto assim, e o restaurante estava igualmente cheio".
Garçom: "Vou verificar senhor".

15 minutos depois, chamamos ele novamente, ele vem explicando que houve um engano na fila de pedidos da cozinha, que em 10 minutos estaria pronto. Engano na fila?! Por favor, todos que haviam chegado depois de nós estavam comendo, e a gente ali, plantado. Novamente, não aguentava mais refrigerante. Quando cravou 10 minutos do prazo dele no relógio, levantamos, pedimos para ele riscar da ficha nosso pedido, e fomos embora. O cara ainda teve a coragem de, na fila para pagar, nos chamar dizendo que tinha ficado pronto. Quase uma hora e meia. Convenhamos.

Agora, eu volta e meia ligo para tele-entregas, não toda noite, mas pelo menos duas vezes por semana. Sempre ligava para o mesmo lugar, até que um dia, o entregador começou a me pedir que descesse para pegar o pedido. Tudo bem, não sou tão preguiçoso assim. Pagava e pronto. Até que um dia ele disse que havia aumentado o preço, 1 real a mais... OK, as coisas podem aumentar, eventualmente. Quando liguei novamente, resolvi perguntar QUANTO custaria. 3 reais a menos do que o entregador me cobrava. Que sacanagem. Nem falei do cara, simplesmente cancelei o pedido. Quer dizer, a cada entrega, o entregador puxava 2 reais a mais, e ele ainda ficou ganancioso, começou a cobrar 3 a mais. Empresários, escolham bem seus prepostos.

Bom, mas nem tudo é tão ruim. Liguei para um restaurante, pedi um item do cardápio de tele-entrega. Meia hora depois, o entregador subiu, entregou a comida em perfeito estado, e perguntou se eu queria pagar em dinheiro ou cartão. Tirei o cartão, ele pegou uma máquina Visa Electron sem fio, por celular, passou, digitei a senha, saiu o comprovante, e fiquei com dinheiro na carteira. Que eficiência, sem igual, esses sem dúvida ficam no topo da minha lista.

Outro dia, liguei para uma lancheria, pedindo o mesmo lanche que aquele entregador safado entregava. O atendimento me surpreendeu:

Atendente: "Tele entrega XXX, o que deseja".
Eu: "Quero o lanche tal, mais uma coca 600ml".
Atendente: "Seu endereço senhor".
Eu: "Tal rua, tal número, tal AP".
Atendente: "Em frente a tal lugar?".
Eu: "Sim."
Atendente: "São tantos reais senhor, e seu lanche chega no intervalo de meia hora a 40 minutos, mais alguma coisa?".
Eu: "Não, obrigado".
Atendente: "Eu que agradeço, tenha uma boa noite e bom apetite".

A ligação durou em torno de 30 segundos. Poderia ter ligado do celular sem gastar quase nada. Eficiência nota dez, ótimo preço, entregaram rápido, troco, tudo perfeito. A comida aliás era ótima também.

Um dia desses vou lançar um serviço de tele-conserto de computadores. Por telefone ou atendimento a domicílio. Vai que dá certo!

20 de mar. de 2007

Descartável

Estava analisando ultimamente como tudo se tornou descartável.

Tudo hoje em dia é descartável, a gente usa por um tempo, depois enjoa e joga fora. É como se os gostos mudassem de tal forma que nada mais perdura na mente das pessoas. É como se a cultura em si fosse feita para durar pouco. Não existem mais valores, pensamentos ou filosofias que durem, que fiquem, que continuem sustentadas e vivas. Parece que as pessoas perderam o sentido de viver e agora ficam o tempo todo procurando, sem nunca achar, e tentando novamente, seguindo a maré.

Eu já falei uma vez sobre opiniões, e sobre como ter opiniões fortes, sustentadas por argumentos, pode dar sentido à vida e completar a existência de alguém. Mas parece que o mundo não concorda comigo, ou ao menos o Brasil não... Seguimos a tendência do momento, apenas até encontrar a próxima. É um modismo tal que, se eu fosse um pouco mais fútil, me sentiria "por fora". Parece que ninguém mais sustenta uma opinião, todos são levados pelo consenso da massa, se juntando nessa maré suja de novidades fúteis e sem sentido.

O melhor exemplo disso é o tal do Big Brother Brasil. Esse programa é simplesmente uma das coisas mais inúteis que existe no mundo, e no entanto é um dos programas de maior audiência da TV brasileira. Entretenimento burro, é isso que vemos todos os dias, pregando modismos e frases feitas, sem a mínima polpa, sem conteúdo, vazios e sem sentido. E no entanto se infiltrando em todos os ramos, em todas as classes. Zorra Total, BBB, todas pequenas formas de controle, capazes de formar opiniões e dirigir a massa faminta por novidades, por ter o que conversar. Eles decoram nomes, geram polêmica. É a política do pão e circo funcionando. Enquanto o Lula alimenta os miseráveis, a mídia enfraquece as mentes com hiperdoses de entretenimento fútil, descartável e diria até "enburrecedor".

Música é descartável, é só olhar o Carnaval. Você ainda lembra da "Macarena", lembra daquele palhaço, o "Tiririca"? Alguém lembra do que tocava ano passado? Claro que não. Literatura é descartável, alguém ainda comenta o "Código DaVinci"? Nosso mundo foi invadido por cultura temporária esporádica sem bases para durar mais do que alguns meses.

Foi-se a época do "Astronauta de Mármore", de "Sad But True", foi-se o tempo de conversar sobre filosofia, política, ética. Foi-se o tempo de sentar num bar, beber e compartilhar opiniões inflamadas pelo porre. Não se acampa, não se aventura, tudo é uma pequena mentira dentro de outra, e nada dura. Não se constrói mais lembranças como fazíamos antes. Trocam amigos, trocam cidades, e nada fica.

Eu lembro, guardei com carinho lembranças das mais diversas, e mesmo que eu esqueça, alguém que estava lá acaba me lembrando. Acho que ainda não troquei meus amigos. Quem sabe estou ficando saudosista conforme fico mais velho, e as coisas do passado começam a ter mais valor. Talvez seja por isso que nossa memória se deteriora com o tempo. É para cobrar o preço por estarmos sempre tão ligados ao presente, e não nos importarmos com o que a vida nos presenteou algum tempo atrás.