Comportamento, ciência, tecnologia, direito, política, religião, cinema e televisão, alguma controvérsia, algum bom senso, e um pouquinho de besteira, para dar um gostinho...

25 de jun. de 2014

Copa, passado, presente e futuro

Tudo depende da perspectiva, relatividade e subjetividade. Até a ciência depende dos dois primeiros. Então, como posso eu, um cara que foi contra a realização da Copa do Mundo no Brasil torcer pela seleção?


Tudo que temos é o presente, é nele que tomamos decisões e é nele que sofremos as consequências das escolhas do passado. Isso não significa que devemos deixar de ter uma mente aberta, olho no futuro, nem esquecer as experiências passadas.

No presente, temos copa, temos jogos, temos horários diferenciados em dia de jogo da seleção. No passado eu falei bastante sobre o futuro da copa, mas não estamos lá ainda. Agora, nesse exato momento, a competição se desenrola e eu sigo o trem do tempo, sem poder "pular fora". Então eu torço. Torço pela seleção, torço por menos acidentes, menos selvageria e que pelo menos algumas das obras superfaturadas via MP sobrevivam e continuem servindo a população brasileira. E aí já vamos para o futuro, feito de conjecturas, e incerto.

Se as experiências anteriores nos ensinassem algo, é que esse tipo de evento pode ser uma coisa tão boa quanto ruim. Mas meses antes, já dava para notar que foi para lá de ruim. Sem o devido planejamento, captação de recursos e iniciativa privada, os cofres públicos arcaram com toda a despesa. Ou seja, nós! Nós pagamos!

A taça não é nossa, ainda, mas a dívida, essa sem dúvida é nossa, só nossa, prá sempre!

16 de jun. de 2014

Desculpe, pirateei o seu conteúdo!

Eu tento fazer a coisa certa. Sempre tive muita educação em casa, meus pais me ensinaram desde muito cedo a ser honesto, principalmente comigo mesmo. Criei a tal da consciência, bichinho xarope que fica suspirando indecências no ouvido: "devolva o troco a mais", "não jogue lixo no chão", "limpe o cocô do cachorro na rua", "dirija de maneira a não atrapalhar os demais".

Então, desde que tive emprego (e com ele, renda) tento não me deixar levar pela facilidade de cometer pequenas infrações, mesmo no mundo virtual.

Comprei o Windows, comprei o Kaspersky (meu antivírus) com licenças para todos os dispositivos que uso, comprei o pacote Office (Home & Student). Compro apps para o smartphone e tablet, livros no Google Play, assino o Deezer para música e o Netflix para filmes, pago o Crunchyroll para ter acesso aos meus animes e mangas. Enfim, eu gasto uma grana tentando ser honesto.

Mas aí o estúdio não lançou aqui ainda. O episódio não foi licenciado. A música não tem acordos. O filme ou a série não estão disponíveis na minha região, saem duas semanas depois aqui ou fazem parte de uma venda casada cheia de inutilidades que eu nem quero usar (TV por assinatura). O jogo "saiu de linha"  e não é mais vendido, ou é lançamento e custa 1/10 do valor total do console. O DVD custa mais caro que o aparelho que o toca. O show nunca veio para meu país, e o DVD vendido no Brasil está em baixa resolução. O CD custa 120 reais em pré-lançamento aqui, e 20 reais na Argentina (qual o motivo? Impostos!). Enfim.

Isso aconteceu recentemente com um documentário, vi a propaganda no Facebook, tentei comprar: seu país não é autorizado para distribuição deste conteúdo. Comprei um console de 149 dólares e paguei 330 reais de imposto sobre ele. Tentei ver um filme, o Netflix não tem licença com esse estúdio. Aí fica difícil.

Um pouco de ganância (dos empresários, das distribuidoras, do governo) e muita incompetência me levam, sim, a piratear conteúdo. Séries, filmes, jogos, músicas, anime.

Quando o Dattebayo Brasil parou de legendar o Naruto pois o Crunchyroll começou a distribuir ele em simulcast para usuários pagos, eu fui o primeiro a assinar. Qual o motivo de tanto entrave, em um mundo globalizado? Não vou culpar apenas o governo e sua "mordida quase fatal de leão", vou culpar TODO MUNDO. Eu QUERO ser honesto, pagar pela sua arte, mas vocês não me deixam escolha. Eu quero consumir dentro do meu país e ajudá-lo a crescer, mas mesmo COM impostos, lá fora é mais barato. Aí eu importo!

Ninguém pensa que, se lançar barato, vai ter mais vendas. Quem iria comprar compra igual, e quem antes não ia pode pensar em comprar! Apostar um pouco na honestidade das pessoas. Existem tantas experiências boas nesse sentido, como os "pay what you want" e os "humble bundle". Existem projetos colaborativos em que as pessoas entram com entusiasmo como o Indiegogo ou o Kickstarter. Eu realmente não entendo o motivo dos "grandões" não apostarem nesse mercado! Isso envolve lançamento digital global, simulcast, envolver as pessoas em seu produto. Já pensou se houvesse um fórum virtual OFICIAL de "Game of Thrones" que você pagasse 1 dólar por mês para se inscrever? Quantos milhares iriam se inscrever. Insight dos diretores, chats com os atores, posts secretos dos personagens. Tantas opções. Eles preferem lançar um DVD que ninguém vai comprar a não ser viciados doidos (que nunca mais vão assistir).

Então, me desculpem, criadores de conteúdo. Enquanto vocês não me derem opção, vou continuar pirateando sua arte.

11 de jun. de 2014

HTPC, discos, memória

Meu HTPC é uma relíquia, completou 4 anos mês passado e já escrevi algumas vezes sobre ele. Nos últimos meses, acontecimentos levaram a mudar as configurações e acabei fazendo alguns upgrades nele.


Eu cometi um terrível engano ao comprar o cooler para o processador do HTPC na época. Adquiri um Zallman (líder mundial e a marca em que mais confio no ramo) mas me enganei no número do modelo, e acabei comprando um que utiliza tecnologia antiga (3 pinos com sensor de rotação) enquanto a placa mãe DH55TC tem suporte a esse tipo de tecnologia apenas para o cooler de gabinete. O cooler do processador usa PWM (4 pinos com modulação de amplitude de pulso). Adquiri um Nanoxia PWM que "converte" o sinal de 3 para 4 pinos. Então algum tempo atrás o conversor queimou. Achei melhor investir em uma solução permanente e adquirir o cooler (dessa vez o correto) novamente da Zallman.

Aí meu irmão resolveu montar o HTPC dele (diga-se de passagem, ficou melhor que o meu em alguns aspectos), mas o case que ele comprou veio com uma fonte que parecia querer alçar vôo. Ele comprou então uma fonte externa ultra potente, mas ela não funcionou com a placa mãe (vai entender). Ofereci para ele uma troca então, eu utilizaria a fonte dele e modificaria a fonte do meu HTPC para se tornar "externa" (cabos mais compridos). Funcionou, por um tempo. Um ano atrás a fonte externa resolveu "reinar" e acabou parando de funcionar. Novamente, hora de investir em uma solução permanente. Comprei uma Seasonic (ótima marca) SS-300TFX com PFC ativo, que depois de alguns "ajustes" serviu na baia onde a anterior ia. Ufa.

Como já mencionei antes, tive problemas com discos e resolvi fazer uma gambiarra com um dos meus gabinetes MTEK. Pois bem, vários meses depois, chegaram as peças necessárias da China e eu COMPLETEI O PROJETO! É estranho para mim completar qualquer coisa. Agora tenho um case com RAID1 de hardware e dois HDs de 320GB espelhados, e um case alimentando meus HDs que se comportam como internos, espelhados via software (sync, não RAID). Basicamente liguei um regulador DC para conseguir os 5V necessários para os HDs, filtrar os 12V também necessários e prevenir curtos, liguei isso a fonte 12V do case e após alguns tweaks dois cabos SATA saem do case para ligar a extensores que estão ligados direto na placa-mãe. É feio, mas funciona perfeitamente (e fica escondido).

Aproveitei para trocar ambas ventoinhas dos cases (estavam fazendo barulho) e torná-las externas (sim, inverti a posição delas), assim posso fazer manutenção nelas mais fácil. Uma ventoinha comum vai no máximo dois anos antes de ser necessário lubrificar ela em nossa região de terra vermelha e poeira.

O último upgrade foi remover o HD de 500GB interno e trocá-lo por um SSD da Kingston de 120GB. Esse foi o upgrade que mais refletiu em performance, o tempo de boot chegou a reduzir em 500% e a rapidez e fluidez geral do sistema melhoraram dramaticamente. Não é o melhor comparativo, mas o IEW (Índice de Experiência do Windows) do HD anterior era 5.1, e do novo é 7.6. O backup então, está MUITO mais rápido. Isso que estou usando uma interface SATA2. Em uma SATA3 provavelmente seria ainda melhor. Fica para daqui uns anos, quando trocar a placa mãe e processador (talvez memória?!). Fica a dica, o melhor upgrade em termos de custo x benefício é colocar um SSD em seu PC.

A memória foi o upgrade mais barato e simples, mas também ajudou bastante na performance. Foi de 4GB para 8GB, e apesar de ser exatamente o MESMO tipo de memória, o pente mais novo tem metade da altura do velho. A informática evolui constantemente. O HD novo que substituiu o queimado de 1TB também é mais fino, leve e silencioso que seu antecessor.

O interessante é que já tive falhas catastróficas de hardware (discos queimados, perda de dados) e os backups sempre me salvaram, nunca perdi dados sem recuperação nesses 4 anos.